Funcionários da Dedini entram em greve novamente; 430 devem ser demitidos


Os trabalhadores da Dedini decidiram paralisar as atividades em Assembleia realizada na manhã de ontem no pátio da empresa pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba. Pouco antes, ex-funcionários revoltados quebraram e queimaram a guarita do prédio administrativo da empresa no bairro Cruz Caiada, zona norte da cidade.
A Assembleia, segundo o sindicato, foi realizada devido às demissões ocorridas no último dia 2, onde mais de 200 trabalhadores, sendo 100 de Piracicaba e 100 de Sertãozinho, foram dispensados. Uma das principais queixas dos ex-trabalhadores é de que a Dedini não vem cumprindo o acordo do pagamento de R$1 mil e cesta básica.
Durante a Assembleia, o sindicato comunicou aos trabalhadores à posição da empresa na última reunião realizada com a entidade. Os representantes da Dedini deixaram claro que não tem condições de realizar o pagamento das rescisões dos trabalhadores demitidos na semana passada e somente vão depositar cerca de R$ 300 por mês a partir de maio. Isso você leu em primeira mão aqui no PiraNOT.com no mesmo dia.
Ainda de acordo com o sindicato, o processo para que estes trabalhadores possam sacar o FGTS (Fundo de Garantia por tempo e Serviço) e dar entrada no seguro desemprego serão agilizados.
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MAIS DEMISSÕES – Em nota enviada ontem a tarde para a imprensa, o sindicato informou que está prevista a demissão de 430 trabalhadores entre janeiro e fevereiro de 2016, em Piracicaba. Para os trabalhadores que ainda permanecerem na empresa, o transporte e o convênio médico começará a ser cobrado. A Dedini vem estudando ainda cortar o restaurante e outros benefícios.
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FALTA DE PAGAMENTO DE FGTS – A empresa também não cumpre com o pagamento de férias, FGTS e ainda vem atrasando os salários segundo o sindicato. “Há ainda a possibilidade dos trabalhadores da ativa agora em dezembro não receber a segunda parcela do décimo terceiro, como também os 27% do ticket alimentação” diz a nota.
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FECHAMENTO DA SEDE EM SERTÃOZINHO – Com as novas demissões, a Dedini pretende permanecer com 600 trabalhadores em Piracicaba. A sede em Sertãozinho deve fechar.
De acordo com João Carlos Ribeiro, o Jipe, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, “O intuito da Dedini é exclusivamente de prejudicar o trabalhador”.
Os trabalhadores de Sertãozinho, diretores de Leme e São Paulo também participaram da Assembleia. Segundo Samuel Marqueti, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, “Há Dedini não vem cumprindo com a sua obrigação, os trabalhadores estão sem receber salários. Em Sertãozinho estamos há mais de 90 dias em greve”, disse.
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MANIFESTAÇÃO NO FÓRUM – No período da tarde, com faixas e cartazes, os trabalhadores e ex-funcionários da Dedini, foram em frente ao Fórum manifestar toda a indignação. Uma comissão de trabalhadores e diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Sertãozinho se reuniu com o juiz Marcos Douglas da Silva, condutor do processo da recuperação judicial da Dedini.
O Juíz disse que a única novidade em meio a tudo o que vem ocorrendo, é que o terreno da Dedini de R$ 15 milhões localizado ao lado do Shopping Piracicaba foi vendido, mas para reverter esta venda ao pagamento aos trabalhadores existe todo um processo que deverá ser feito na Justiça e é demorado.
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PROTESTO – Antes da Assembléia, um grupo de pessoas quebraram e atearam fogo na guarida que dá acesso ao prédio administrativo da empresa no bairro Cruz Caiada. O sindicato disse que não tem ligação nenhuma com o ato de vandalismo, embora entender o desespero dos ex-funcionários que foram demitidos sem receber nada. A Polícia Militar foi chamada para controlar a situação. Ninguém foi preso.


