Industria de máquinas da região de Piracicaba deve retomar crescimento já em 2017

Industria de máquinas da região de Piracicaba deve retomar crescimento já em 2017

Industria de máquinas da região de Piracicaba deve retomar crescimento já em 2017
Foto: Arquivo - Agência Brasil
Foto: Arquivo – Agência Brasil

Levantamento mensal apresentado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) mostra uma tendência de paralisação na queda das vendas do segmento. Porém, os números se estabilizam em baixa.

Na indústria da região, em municípios como Piracicaba, Campinas, Americana e Limeira, há sinais que a indústria que fornece máquinas para agricultura retome o fôlego, mesmo que timidamente, a partir do próximo ano. “A produção de grãos está sendo boa, o que ajuda”, afirmou o diretor regional da ABIMAQ em Piracicaba, José Antônio Basso.

Já o segmento de transformação, aquele que faz máquina para aparelhar outras indústrias, deve ter uma retomada mais lenta, avalia Basso. “Há setores que sofrem mais com o câmbio, juros e os impostos”, disse.

O levantamento foi apresentado neste dia 27/07 durante entrevista coletiva ocorrida em São Paulo e acompanhada nas sedes regionais da ABIMAQ, incluindo a de Piracicaba.

O consumo em junho apresentou um resultado atípico. Influenciado pelas importações, houve crescimento de 56,7% ante maio. Porém, no semestre, o resultado foi de queda de 25,4% sobre igual período de 2015.

A receita com vendas mostrou uma tendência à estabilidade, ainda que em nível muito baixo. As vendas subiram 4,2% ante maio último. Na comparação com 2015 a ABIMAQ aponta queda de 23,7% ante junho, e de 29,3% no semestre inicial.

No mercado interno o cenário mostra-se mais preocupante. As vendas acumularam queda de 46,3% no primeiro semestre de 2016. Incertezas políticas e política econômica recessiva deixam o custo do capital incompatível com o retorno dos investimentos.

“O comportamento das vendas até junho indica em 2016 uma queda, provavelmente de dois dígitos em relação a 2015”, disse José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ.

A apreciação do real ocorrida em 2016 anulou praticamente todos os ganhos de competitividade dos produtos nacionais. O dólar, por exemplo, já chegou a R$ 4,10, o que incentivou as exportações. Hoje ronda R$ 3,30.

O uso médio da capacidade instalada do setor atingiu 66,6% esse ano, o menor desde o início do estudo.

Nessa linha, a indústria de máquinas encerrou junho último com 308 mil pessoas ocupadas. De junho de 2015 para cá houve a redução de 32.703 postos de trabalho.

Para Mário Bernardini, diretor de competitividade da ABIMAQ, ainda há espaço para reverter o quadro. Para isso, a associação defende junto ao governo medidas como reduzir a carga tributária, renegociar o imposto devido pelas empresas; baixar a taxa de juros; e alterar a política cambial.

Presente na coletiva, o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), integrante da Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas no Congresso Nacional, mostrou preocupação. “A maioria das empresas está com problema de dívidas, e isso explica porque muitas pessoas físicas estão com problema no Serasa”, disse.