Santa Casa de Piracicaba informa que 46,1% das internações são por conta de quedas

Santa Casa de Piracicaba informa que 46,1% das internações são por conta de quedas

Santa Casa de Piracicaba informa que 46,1% das internações são por conta de quedas

Os dados são assustadores. Acidentes são a principal causa de morte de crianças de um a 14 anos no Brasil. Todos os anos, cerca de 3,6 mil crianças dessa faixa etária morrem e outras 111 mil são hospitalizadas. As quedas ficam em primeiro lugar quando o assunto é internação. Somente em 2018, elas representaram 46,1% de todas as internações infantis. Em segundo lugar ficou a queimadura, com 18,5% das internações (assunto este, que trataremos em outro material). O levantamento foi feito pela ONG Criança Segura, por meio de dados do Ministério da Saúde, que informou que em 2018, 51.374 crianças dessa faixa etária foram hospitalizadas vítimas de quedas.

santa casa
Foto: Reprodução

De acordo com o neurocirurgião da Santa Casa de Piracicaba, Moisés Lara, a maioria das quedas ocorre em casa, acomete crianças de 0 a 5 anos e estão associadas à ausência ou displicência de algum cuidador. Essas lesões decorrentes podem ser extremamente graves, envolvendo membros (feridas abertas e fraturas), crânio (traumatismo crânio-encefálico) e abdômen (lesões de órgãos internos).

“Um dos casos mais reincidentes que registramos no Hospital é o de queda de lactentes. No começo, o bebê não se move, tem movimentos restritos, e por conta disso, os pais ou responsáveis acreditam que bebê não vai rolar e muito menos cair. O que registramos e que é muito comum são as quedas de bebês do trocador, da cama, do berço, do carrinho. E muitas vezes, os traumas causados por esse tipo de acidente são gravíssimos e, infelizmente, em alguns casos, podem levar até a morte. São frequentes as quedas de bebês antes de 1 ano de idade. É triste informar que nos dias de hoje, quando há informações em todos os lugares, ainda vivenciamos esse tipo de situação”, enfatiza.

É evidente que, – como qualquer pessoa que já foi criança ou que tenha um filho – , é impossível e nenhum pouco saudável colocar uma criança em uma redoma de vidro, ou numa bolha e fazer com que ela esteja sempre livre de acidentes, mas nessa fase de lactente e os primeiros anos de vida, o neurocirurgião Moisés, ressalta que é muito importante que elas recebem total proteção. “Recentemente registramos mais um caso na Santa Casa. O bebê caiu do trocador enquanto a mãe o trocava. Ao chegar no hospital foi constatada fratura de crânio e coágulos intracranianos. Na maioria dos casos, quando isso acontece é preciso entrar em procedimento cirúrgico. Esse é um tipo de acidente totalmente evitável, basta cuidado e orientação”, reforça.

Outros registros de queda e que acontecem com frequência na faixa etária dos 5 a 9 anos são as causadas por bicicletas, patinetes, patins, skates. “É muito comum essas quedas causarem traumas de crânio e as crianças precisarem de internação, sendo que em alguns casos há a necessidade de cirurgia. Já na fase da adolescência é ainda mais complicado, pois os jovens recebem uma avalanche de informação, são donos da liberdade muito cedo e a falta de maturidade os fazem usar e abusar de objetos e práticas desportivas que envolvem impacto e situações de disposição pra quedas”, ressalta.

Moisés lembra que, seja qual for a idade, é necessário sempre usar os critérios de prevenção, informação, proteção e orientação. “O uso de equipamentos de proteção, seja para andar de bicicleta, skate, patins ou para andar em veículos do tipo quadriciclos é muito importante. Outro fator relevante é que nós, responsáveis, preparemos nossas crianças e adolescentes informando que para usufruir deste tipo de situação, existe o risco. Ninguém quer impedir um adolescente ou uma criança de se desenvolver, mas eles precisam saber, por exemplo, que há possibilidades de quedas seja no futebol, basquete ou vôlei, seja no skate, quadriciclos, ou qualquer outro tipo de atividade. O importante é dar a eles informação suficiente para que pratiquem essas atividades com prevenção, assistência e informação, que são absolutamente fundamentais para evitar problemas mais graves”

Com a supervisão de adultos e informações, o risco e as lesões decorrentes de quedas podem ter uma redução significativa, pois estudos demonstram que 90% desses acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção.