PIRACICABA (SP) 5 min de leitura
21 de maio de 2020

Em Piracicaba, usuários fazem reclamações do transporte público do município

Foto: Eleni Destro/CCS

Todos os dias, leitores do PIRANOT escrevem para o jornal com o intuito de registrar as mais diversas reclamações; e o transporte público continua sendo um dos pontos que mais desagradam os leitores.

Em Piracicaba, usuários fazem reclamações do transporte público do município
Foto: Eleni Destro/CCS

Após uma rescisão de contrato com a Via Ágil, a Prefeitura de Piracicaba definiu, na última quarta-feira (13), que a Trans Acreana seria a nova empresa responsável pelo transporte público de Piracicaba. A nova empresa começou a operar nas primeiras horas de sábado, dia 16, sob um contrato emergencial de seis meses, no valor de R$ 34 milhões.

Nesta quarta-feira (20), um internauta chamado Eduardo Rodrigues escreveu ao PIRANOT queixando-se da qualidade dos veículos. Na ocasião, ele comparou Piracicaba com a cidade de Limeira. “Em Limeira, foi realizado uma contratação emergencial no ano passado sendo que a ganhadora foi a Santa Cecilia Turismo”, escreveu. E continuou. “A empresa apresentou a melhor proposta e ofereceu uma frota composta por veículos equipados com ar-condicionado e wi-fi, além de alguns modelos zero km. Serão 120 veículos ao todo, além dos especiais adaptados. A prefeitura de Limeira informou ainda que a tarifa não sofrerá alteração no valor e o mesmo seria negociado para baixo no próximo contrato. Pois bem, em Piracicaba, a Trans Acreana ofereceu ônibus reserva, sem ar, sem wi-fi, sem comodidade e ainda com a Prefeitura pagando o mesmo pelo contrato, sem melhoria no serviço, sem abatimento do valor. Ressalva-se que o contrato emergencial será coberto pelo valor integral, havendo ou não utilização pelos usuários. Aqui deixo uma reflexão: quando nossos governantes vão fazer algo que ajude a população? Limeira está aqui ao lado e está oferecendo um serviço bem melhor do que o nosso. Não que os limeirenses não mereçam, mas Piracicaba merecia mais”, escreveu.

Um leitor chamado Alexandre Lupinacci também reclamou da qualidade dos ônibus, e escreveu não somente ao PIRANOT, mas também aos vereadores do município. “Venho como eleitor e munícipe de Piracicaba, perguntar a V. Sria. sobre esta troca na empresa de transporte público. Vemos que saíram umas carroças brancas e azuis e chegaram carroças amarelas e laranjas, ridículas por sinal. (…) Olhe para Limeira, cidade bem menor que a nossa. Os ônibus lá tem ar condicionado e wi-fi, além de serem novos. A troca de “carroças” por “carroças” será o motivo da principal campanha deste ano pela internet.”

Em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19), uma leitora identificada como Drielly Karina, queixou-se dos ônibus estarem circulando com horários reduzidos. “Gostaria de saber quando o prefeito e vereadores vão tomar providências quanto a esses horários absurdos dos ônibus. Diante da situação delicada em que estamos vivendo, jamais deveriam ter diminuído os horários dos ônibus ou mesmo interrompido algumas linhas. As pessoas dos serviços essenciais que estão trabalhando (hospitais, mercados, farmácias, etc) dependem do transporte público e estão sofrendo demais com essa redução. Além dos horários nunca baterem com a jornada de trabalho. Isso precisa ser repensado urgentemente”, escreveu.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, houve redução no serviço, desde quando ele ainda era oferecido pela Via Ágil.

Presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba visita a Trans Acreana

O presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, Gilmar Rotta, foi à garagem da Trans Acreana para conferir a estrutura da viação responsável pelo transporte público no município desde a manhã de sábado (16). Com sede em Rio Branco (AC), a empresa ficou encarregada de substituir a Via Ágil, que no início do mês solicitou rompimento de contrato com a Prefeitura.

Na visita, ocorrida na tarde desta segunda-feira (18), o parlamentar questionou o número de carros já em circulação, onde foram adquiridos, a frequência de manutenção e o total de pessoas empregadas pela viação, além de outras dúvidas.

O contrato emergencial assinado pela Prefeitura com a Trans Acreana, no valor de R$ 34 milhões, vale para os próximos seis meses, até que a nova licitação seja aberta. De acordo com o proprietário, Fernando Lourenço da Silva, a empresa pretende entrar na disputa. “A intenção é de que, quando surgir a licitação, a gente possa participar.”

A Trans Acreana, contou Fernando, surgiu em 2009 e está presente em Sorocaba (SP) e Guarulhos (SP), de onde recentemente passou a operar linhas interestaduais para o Rio de Janeiro (RJ) e o Triângulo Mineiro, respectivamente. A empresa também já formalizou um pedido a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para oferecer viagens de Piracicaba à capital fluminense. “Por isso já estávamos nos instalando na cidade”, explicou Fernando. A garagem da Trans Acreana está situada às margens do km 160 da Rodovia do Açúcar.

“Coincidiu que fomos chamados para atender três municípios do Acre e já tínhamos comprado parte desses ônibus para levar para lá. Mas, com a Covid-19, estávamos com esses ônibus parados, o contrato não andou e aí aconteceu de participarmos aqui”, comentou o presidente da empresa sobre a operação em caráter emergencial em Piracicaba. Seis empresas candidataram-se, três apresentaram propostas e a da Trans Acreana foi a escolhida.

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