O incêndio que atingiu o Mercadão Municipal de Piracicaba nesta semana trouxe à tona diversas lembranças e reflexões da população sobre o passado e as mudanças recentes no comércio da cidade. Em grupos de redes sociais, muitos piracicabanos recordaram produtos e práticas que fizeram parte do cotidiano no espaço, como a venda de passarinhos – proibida por lei desde 1998 – e a comercialização de animais vivos, que passou a ter restrições ainda mais severas em todo o Estado de São Paulo a partir de junho de 2024, após um decreto sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas.
Uma leitora do PIRANOT chamou atenção para as mudanças de comportamento e memória coletiva ao comparar a situação com a Loja Pelicano, uma das mais tradicionais de Piracicaba, que encerrou as atividades no início dos anos 2000. “Esse assunto de que o Mercadão vendia animais vivos é igual às pessoas que falam que vão ao Centro para comprar na Pelicano”, disse ela.
A comparação reforça como a Pelicano, mesmo fechada há 25 anos, segue viva na memória dos moradores. Conhecida por suas promoções e variedade de roupas, tecidos e utilidades, a loja marcou uma época no comércio piracicabano, quando o Centro ainda era o principal polo de consumo da cidade.
Comércio de rua em crise
As lembranças surgem em um momento de grandes transformações no comércio local. Dados não oficiais apontam que entre 80 e 100 lojas fecharam as portas no Centro de Piracicaba nos últimos três anos, reflexo direto das mudanças nos hábitos de consumo. A popularização das compras online – com destaque para plataformas como o Mercado Livre, que já oferece entrega no mesmo dia na cidade para compras feitas até as 10h – tem afastado o público do comércio de rua.
Além disso, o único shopping da cidade dobrou de tamanho na última década, ampliando a oferta de lojas e serviços. Essa expansão absorveu redes que antes mantinham grandes unidades no Centro, como a Renner. Hoje, a loja da rede de vestuário e acessórios no Shopping Piracicaba é uma das maiores do empreendimento, consolidando a migração dos consumidores para ambientes fechados e com maior infraestrutura.
Um centro cada vez mais esvaziado
Para muitos piracicabanos, a percepção das mudanças nem sempre acompanha a realidade. “Mesmo que já tenham se passado 25 anos, há pessoas que ainda falam da Pelicano como se ela existisse, porque simplesmente não vão mais ao Centro”, comentou a leitora. O mesmo ocorre com a venda de passarinhos e animais vivos no Mercadão, práticas que foram proibidas por lei, mas que permanecem no imaginário popular.
As lembranças reacenderam o debate sobre o futuro do Centro de Piracicaba, que segue enfrentando o desafio de se reinventar diante da força do comércio eletrônico e da consolidação do shopping como principal polo de consumo da cidade.






