O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) foi acionado para analisar, dentro do prazo de um ano, a operação que transfere para a Femsa Coca-Cola o controle das 611 lojas da rede Oxxo no Brasil, antes administradas em parceria com a Raízen. O negócio envolve ainda um centro de distribuição em Cajamar (SP) e a assunção das dívidas do grupo.
A operação ocorre após a dissolução da joint venture Grupo Nós, criada em 2019 entre a Raízen, do grupo Cosan, e a Femsa. Com o fim da parceria, a Raízen manteve as 1.256 unidades Shell Select e Shell Café, enquanto a mexicana assumiu sozinha o Oxxo.
Risco de concentração de mercado
Um dos pontos que o Cade deve avaliar é a possibilidade de aumento da concentração de mercado no setor de bebidas. A Coca-Cola, controladora da Femsa, já detém marcas de grande penetração, como Fanta, Sprite, Schweppes, Crystal e Del Valle, além de parcerias regionais com engarrafadoras.
Com o avanço do Oxxo no Brasil, especialistas avaliam que a empresa poderia privilegiar seus próprios produtos dentro das lojas, enfraquecendo a concorrência de refrigerantes, sucos e águas de outras marcas, o que poderia configurar abuso de posição dominante.
Impacto nos pequenos comércios
Outro aspecto em análise é o efeito da expansão do Oxxo sobre mercadinhos de bairro, quitandas e bares. Há receio de que, com a força de distribuição da Femsa, o grupo consiga impor tabelas de preços mais agressivas nas regiões onde abrir unidades, o que pode provocar resistência dos comerciantes locais.
Fontes ligadas ao setor acreditam que, em médio prazo, se a Coca-Cola praticar preços diferenciados para o Oxxo, mercadinhos podem retaliar restringindo a compra de seus produtos, afetando o consumo de marcas consolidadas da companhia.
Transição com apoio da Raízen
Durante o processo de transição e análise do Cade, a Raízen seguirá responsável pelo fornecimento de parte dos produtos que já abastecem sua rede Shell Select e Shell Café. A medida visa manter a regularidade da operação até que a Femsa esteja preparada para assumir integralmente a logística.
Expectativa de aprovação
Apesar das preocupações, especialistas avaliam que a tendência é que o Cade aprove a operação, mas imponha condições para evitar riscos de monopólio no setor de bebidas e práticas anticoncorrenciais.
Com a consolidação da aquisição, a Femsa Coca-Cola reforça sua presença no varejo brasileiro e transforma o Oxxo em um de seus principais braços estratégicos no país.
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