A semana começou com fortes emoções para a Cosan (CSAN3) e para o empresário piracicabano Rubens Ometo, controlador do grupo. No domingo, Ometo anunciou um acordo com o BTG Pactual e com um fundo de investimentos para a emissão de R$ 10 bilhões em novas ações da companhia, movimento destinado a reduzir o peso de uma dívida considerada elevada e cara.
Com a operação, a dívida da Cosan, estimada em cerca de R$ 23 a R$ 24 bilhões, deve cair praticamente pela metade. Além disso, a empresa aproveitou para trocar dívidas antigas com juros mais altos por contratos com condições mais favoráveis, seja em prazo ou em custo financeiro, o que dá maior fôlego ao caixa e maior segurança na gestão de médio prazo.
Rubens Ometo, que já detém mais de 50% das ações ordinárias da Cosan, participou diretamente do aporte, colocando cerca de R$ 750 milhões do próprio bolso. O BTG Pactual, conhecido por investir em companhias em dificuldades para reestruturá-las e revendê-las com lucro, entrou como sócio relevante nessa nova etapa.
Queda brusca na Bolsa
Apesar do reforço bilionário no caixa, o mercado reagiu mal no primeiro momento. As ações da Cosan abriram a segunda-feira em R$ 7,62 e despencaram para R$ 5,70 em poucas horas, reduzindo em R$ 3,6 bilhões o valor de mercado da empresa. Sozinho, Ometo viu seu patrimônio encolher em cerca de R$ 1,79 bilhão naquele dia.
Recuperação parcial
Na terça-feira (23), a ação mostrou reação, fechando em R$ 6,34, alta de 3,26% no pregão. Com isso, a Cosan recuperou R$ 1,2 bilhão em valor de mercado, e Ometo voltou a ganhar aproximadamente R$ 600 milhões.
Estratégia de estabilização
Longe de vender participação, Rubens Ometo deu outro sinal importante ao mercado: ele está recomprando parte das ações emitidas, absorvendo papéis e ajudando a estabilizar a cotação. O objetivo é reduzir a volatilidade, principalmente a queda brusca, e dar mais confiança a investidores que acompanham a reestruturação da companhia.






