segunda-feira, março 2
Foto: Reprodução

Chega ao fim neste domingo (12) a trajetória de uma das rádios mais icônicas do Brasil. A Rádio Transamérica, que marcou gerações de ouvintes e foi símbolo da cultura jovem paulistana, encerra oficialmente suas transmissões em São Paulo, após mais de quarenta anos no ar.

Com uma história de pioneirismo e ousadia, a Transamérica foi uma das primeiras emissoras a unir música, humor e jornalismo de forma leve e popular. Durante décadas, ela foi trilha sonora de carros, comércios e estúdios, acompanhando a vida de milhões de brasileiros. Seus locutores, jingles e programas esportivos se tornaram parte da memória afetiva de São Paulo — cidade que aprendeu a reconhecer o som característico da 100.1 FM como parte de seu próprio ritmo urbano.

Nos anos 1990 e 2000, a Transamérica atingiu o auge, tornando-se a maior rede de rádios do país, com 500 afiliadas em todo o território nacional. Era a rádio que falava a língua da juventude, que misturava pop, rock e esporte, e que revelou nomes importantes da locução e do jornalismo esportivo.

Mas, como tantas empresas tradicionais de comunicação, a emissora enfrentou o impacto das transformações tecnológicas e das mudanças de hábito do público. Nos últimos anos, passou por uma crise financeira profunda e começou a ceder espaços de sua grade. Um dos movimentos mais marcantes foi a parceria com a CNN Brasil, que alugou parte da programação — especialmente nas madrugadas — para veicular o projeto Rádio CNN.

Essa experiência chegou ao fim recentemente, e com ela também uma virada de página. O empresário João Camargo, dono do Grupo Esfera e ex-presidente do conselho da CNN Brasil, decidiu transformar a frequência em uma nova emissora: a TMC, que estreia nesta segunda-feira (13).

Desta vez, o foco será totalmente voltado ao jornalismo e ao esporte, em um formato considerado “disruptivo” pelo próprio Camargo, que pretende modernizar a linguagem radiofônica e ampliar o alcance nacional. A TMC já nasce com presença em seis capitais e meta de chegar a 500 afiliadas, herdando a estrutura da Transamérica, mas com um novo conceito editorial.

Entre os nomes confirmados na nova fase está a jornalista Daniela Lima, ex-GloboNews e colunista do UOL, que deve ser uma das vozes principais da programação.

O encerramento da Transamérica neste domingo tem sido marcado por mensagens nostálgicas nas redes sociais. Ex-locutores, técnicos e ouvintes relembram os tempos de ouro da emissora, quando ela dominava o dial paulistano e representava um estilo de vida.

“A Transamérica foi mais do que uma rádio. Foi uma companhia diária, uma escola de comunicação e uma referência de inovação”, escreveu um ex-apresentador.

O fim da Transamérica simboliza não apenas o encerramento de uma emissora, mas o adeus a uma fase importante da história do rádio brasileiro — uma era em que a voz, a música e a emoção formavam uma ponte direta com o coração do ouvinte.

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Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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