O grupo britânico Shell contratou o banco Lazard para estruturar uma operação de compra de novas ações da Raízen, empresa piracicabana que atua nos setores de energia e biocombustíveis e que é fruto da joint venture entre a prórpia Shell e a Cosan, do empresário bilionário Rubens Ometto Silveira Mello.
A informação foi revelada pelo jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, e confirma o interesse da Shell em ampliar sua fatia de participação na companhia, mas sem interferir no controle acionário, que seguirá sob comando da Cosan. Recentemente, em uma operação de crédito, Rubens e bancos ofertaram R$ 10 milhões em novas ações da empresa, se somando as que já estavam no mercado, gerando uma “diluição” no preço da companhia.
As movimentações ocorrem em meio a um contexto de reestruturação financeira e administrativa. Segundo fontes do mercado, a operação conduzida pela Shell visa reforçar sua posição estratégica dentro da Raízen e recapitalizar parcialmente a empresa, que vem enfrentando forte desvalorização na Bolsa de Valores (B3) nos últimos meses — reflexo da queda nos preços internacionais do açúcar e do etanol, além do cenário global de incertezas no setor de energia.
Cosan mantém controle e confiança em Piracicaba
Mesmo com a ampliação da participação da Shell, a Cosan continuará como controladora majoritária da Raízen, mantendo o modelo de governança atual.
O empresário piracicabano Rubens Ometto, considerado um dos nomes mais influentes da economia brasileira, tem reiterado que a parceria com a Shell é sólida e estratégica para o futuro da empresa.
Com sede em Piracicaba (SP), a Raízen é uma das maiores companhias integradas de energia do mundo, com atuação em etanol, açúcar, biogás, distribuição de combustíveis e geração de energia renovável. A empresa é também a maior produtora individual de etanol de cana-de-açúcar do planeta e figura entre as mais valiosas do agronegócio brasileiro.
Estratégia global e transição energética
A ação da Shell é vista por analistas como um movimento de manter posição na companhia, além de ajudar a estabilizar os preços das ações.
Ainda segundo o Valor Econômico, a Shell não pretende adquirir o controle da Raízen, mas deseja aumentar sua participação de forma a ter maior peso estratégico e operacional dentro do grupo.






