Cinco anos após o lançamento do Discovery Plus e em meio a sucessivas mudanças de estratégia no streaming, o conselho de administração da Warner Bros. Discovery voltou a orientar, pela oitava vez, que seus acionistas rejeitem uma proposta de aquisição feita pela Paramount, mesmo com valores considerados superiores e mais vantajosos para o mercado. A decisão reacende críticas sobre a governança do grupo e o futuro de suas marcas e conteúdos.
Desde a fusão entre Warner Bros. e Discovery, a companhia adotou uma série de movimentos estratégicos que geraram instabilidade. O lançamento do Discovery Plus, seguido pela criação do HBO Max, sua posterior mudança para Max e, mais recentemente, o retorno ao nome HBO Max, são vistos por analistas como sinais de indefinição editorial e comercial.
O mesmo conselho que agora recomenda a rejeição da oferta da Paramount foi responsável por fragmentar o catálogo da HBO, diluindo conteúdos entre diferentes plataformas. A estratégia não trouxe o crescimento esperado de assinantes nem estabilizou as receitas, ao mesmo tempo em que enfraqueceu marcas históricas da televisão por assinatura, incluindo canais tradicionais do grupo Discovery.
Nos bastidores, investidores avaliam que a recusa reiterada da proposta da Paramount tem menos relação com valor financeiro e mais com a tentativa de preservar a atual estrutura de comando. A insatisfação aumenta diante da possibilidade de uma futura venda para a Netflix, cenário que poderia ocorrer por um preço inferior ao já oferecido pela concorrente, representando perdas diretas aos acionistas.
Além das incertezas corporativas, o impacto editorial preocupa o mercado audiovisual. Cortes de produção, encerramento de canais e redução de investimentos em conteúdo original levantam o temor de um esvaziamento progressivo do catálogo da Warner Bros. Discovery, afetando não apenas o streaming, mas também o legado da empresa na televisão global.
Com a decisão novamente adiada e a votação dos acionistas postergada, a crise da Warner Bros. Discovery deixa de ser apenas uma disputa comercial e passa a simbolizar um problema estrutural de governança. Para analistas, o grupo enfrenta hoje uma escolha decisiva: redefinir sua estratégia de forma clara ou continuar perdendo valor, relevância e confiança no mercado internacional.






