A Universidade de São Paulo (USP) está expandindo as fronteiras da formação acadêmica, integrando o empreendedorismo e a inovação como pilares essenciais para seus programas de pós-graduação. Uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) resultou no desenvolvimento de nove disciplinas exclusivas, meticulosamente desenhadas para cultivar uma cultura empreendedora entre seus pós-graduandos. O objetivo central é capacitar futuros cientistas a traduzir o conhecimento científico em soluções práticas, com foco na inovação e no impacto social. Este movimento estratégico visa não apenas diversificar as trilhas de carreira para os estudantes, mas também fortalecer a capacidade da universidade de contribuir significativamente para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do país.
A Estrutura da Trilha Formativa e sua Abrangência
Acesso, Metodologia e Conteúdo Programático
As novas disciplinas de empreendedorismo, parte integrante de uma trilha formativa inovadora, foram concebidas para serem amplamente acessíveis, sem exigir pré-requisitos específicos. Elas estão disponíveis para todos os alunos regulares de pós-graduação da USP, independentemente de seu programa, área do conhecimento ou campus. Essa abordagem inclusiva fomenta a interdisciplinaridade e a troca de experiências entre estudantes com diversas bagagens científicas, enriquecendo o processo de aprendizagem e a geração de ideias.
A metodologia de ensino é flexível e moderna, adaptada às necessidades do ambiente universitário contemporâneo. As aulas são ministradas virtualmente, combinando sessões síncronas que permitem interação em tempo real com atividades assíncronas, proporcionando autonomia e flexibilidade aos alunos. A avaliação do aprendizado varia conforme a disciplina, podendo envolver a execução de projetos individuais ou o desenvolvimento de trabalhos em grupos multidisciplinares, estimulando a colaboração e a aplicação prática dos conceitos.
Rodrigo Calado, pró-reitor de Pós-Graduação, enfatiza a relevância desta iniciativa: “A criação dessas disciplinas alinha-se à proposta da Pró-Reitoria de ampliar a diversidade de trilhas formativas na pós-graduação para alunos com diferentes interesses e projetos, oferecendo mais oportunidades para a aquisição de habilidades e competências. Importante é o fato de que esse conjunto de disciplinas está disponível para estudantes de todos os Programas de Pós-Graduação da USP, em todos os campi e em qualquer área do conhecimento, permitindo a integração e a interação entre estudantes com bagagem científica diversificada e fomentando a interdisciplinaridade”.
Para o primeiro semestre de 2026, as inscrições para as novas disciplinas podem ser realizadas pelo Sistema Janus até o dia 19 de janeiro. Entre as ofertas iniciais, destacam-se: DPG5011 – Formação do Cientista Empreendedor, que abordará os fundamentos para a transição do pesquisador ao empreendedor; DPG5015 – Empreendedorismo – Da Ideação à Execução, focada nas etapas práticas de desenvolvimento de um negócio; DPG5020 – Gestão de Pessoas e de Equipes para Empreendedorismo, essencial para a liderança em startups; e DPG5021 – Mindfulness Aplicado ao Empreendedorismo, visando o bem-estar e a resiliência em um ambiente dinâmico.
Parceria Estratégica e Reconhecimento Formal
Colaboração com a Auspin e o Certificado Especial
A trilha formativa dedicada ao empreendedorismo é fruto de uma colaboração estratégica entre a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) e a Agência USP de Inovação (Auspin). Essa parceria assegura que a oferta das disciplinas não esteja vinculada a uma única unidade de ensino, mas seja gerenciada diretamente pela PRPG, contando com a expertise de docentes do InovaUSP e de diversas outras unidades da Universidade. Essa estrutura garante uma abordagem integrada e o aproveitamento do conhecimento distribuído por toda a instituição.
Luiz Henrique Catalani, coordenador da Auspin, sublinha a importância da iniciativa para o fortalecimento do ecossistema de inovação da USP: “Nossa missão, ao integrar o empreendedorismo na pós-graduação da USP, é promover a cultura da inovação e formar pesquisadores capazes de gerar impacto positivo na sociedade, transformando conhecimento em soluções reais e aplicadas”. A visão é clara: ir além da pesquisa básica, incentivando a aplicação prática do conhecimento gerado dentro dos laboratórios e salas de aula.
Para formalizar a capacitação dos estudantes, a PRPG emitirá um Certificado Especial de Formação Empreendedora. Este reconhecimento será concedido aos pós-graduandos que completarem um mínimo de três disciplinas da trilha, atestando suas novas habilidades e competências na área. No futuro, os programas de pós-graduação terão a prerrogativa de emitir seus próprios certificados de conclusão, podendo inclusive incluir uma “ênfase em empreendedorismo” para aqueles alunos que acumularem uma quantidade específica de créditos nas disciplinas relacionadas. Essa certificação formal agrega valor significativo ao currículo dos estudantes, diferenciando-os no mercado de trabalho e no ecossistema de inovação.
Visão Ampliada e Próximos Passos para o Ecossistema Empreendedor da USP
A trilha de disciplinas empreendedoras da PRPG é uma das propostas mais concretas do Grupo de Trabalho Arco de Inovação Radical com Impacto Social (GT Arco-Íris). Criado em junho pela PRPG e pela Auspin, o GT teve como missão realizar um diagnóstico abrangente sobre a abordagem da inovação e do empreendedorismo na pós-graduação da USP, com o objetivo de propor ações estratégicas. O trabalho do GT culminou no desenvolvimento de um modelo robusto, estruturado em quatro pilares fundamentais.
Além da já mencionada trilha de disciplinas, o modelo do GT Arco-Íris contempla um edital específico para fomentar projetos inovadores e de impacto social, o que demonstra o compromisso com a materialização das ideias. O certificado especial de formação empreendedora, também discutido, é o terceiro pilar, formalizando a aquisição de competências. Por fim, o modelo prevê a realização do evento USP Innovation Connect, uma plataforma vital para integrar alunos, docentes, pesquisadores e investidores, criando um ambiente propício para a troca de ideias e a formação de parcerias estratégicas.
Mateus Gerolamo, coordenador do GT, explicita a ambição por trás dessas iniciativas: “Coletivamente, essas iniciativas buscam transformar a USP em uma instituição onde a pesquisa de excelência se converte, de forma sistemática e interdisciplinar, em empreendimentos com potencial de gerar inovação de alto impacto socioeconômico e ambiental”. A visão é de uma universidade que não só gera conhecimento, mas o catalisa em valor para a sociedade.
Liliam Carrete, professora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) e membro do GT, ressalta a importância estratégica da trilha de disciplinas para o horizonte de atuação dos pós-graduandos. Ela afirma que “além da pesquisa e da docência, o empreendedorismo científico se consolida como um terceiro caminho de impacto, no qual alunos de mestrado e doutorado podem assumir o protagonismo na criação de novas empresas de base tecnológica, gerando empregos qualificados, arrecadação de tributos e soluções inovadoras para os grandes desafios econômicos, sociais e ambientais da sociedade, em plena sintonia com a missão pública da USP”.
Olhando para o futuro, o Grupo de Trabalho já delineou os próximos passos cruciais para a consolidação deste ecossistema empreendedor. Incluem a proposta de novas disciplinas que abordem a dimensão jurídica da inovação, como propriedade intelectual, contratos e convênios, elementos essenciais para qualquer empreendimento. Outro ponto é a estruturação de um Certificado de Estudos Especiais em Empreendedorismo para estudantes de pós-graduação. Adicionalmente, o GT planeja consolidar o edital “Ciência que Transforma” como um programa de fomento permanente, garantindo apoio contínuo a inovações baseadas em ciência em todas as áreas do conhecimento. Por fim, a promoção de eventos de integração entre a comunidade acadêmica e o público externo será fundamental para fomentar novas iniciativas de inovação e empreendedorismo, solidificando o papel da USP como um polo irradiador de desenvolvimento e progresso.






