O atual cenário geopolítico global é marcado por incertezas, rearranjos de poder e questionamentos sobre o papel das grandes potências. Nesse contexto, análises recentes de especialistas em relações internacionais indicam que a política externa dos Estados Unidos tem contribuído para a percepção de um enfraquecimento da liderança global do país, especialmente durante a administração Trump. Avaliações apontam contradições entre o discurso público e as prioridades estratégicas efetivas, tanto na América Latina quanto em temas centrais da agenda internacional.
No caso da Venezuela, analistas observam que, apesar da retórica de condenação ao governo de Nicolás Maduro, não haveria um empenho consistente dos Estados Unidos para promover uma mudança de regime por meio de eleições democráticas. Segundo especialistas, a atuação americana teria se concentrado em sanções e pressões simbólicas, sem uma estratégia clara voltada à construção de uma solução política duradoura. Essa postura teria gerado frustração entre aliados regionais e setores da oposição venezuelana, além de ampliar a incerteza sobre os rumos da crise no país.
A relação com o Brasil também revela limites da estratégia norte-americana na região. Apesar de sua relevância econômica e política, o país não é visto como uma preocupação direta de segurança nacional para Washington. Com isso, a relação bilateral tende a se concentrar em temas como comércio, meio ambiente e cooperação pontual, sem maior engajamento estratégico. Especialistas alertam que essa percepção pode levar à subestimação do papel brasileiro em dinâmicas regionais e globais, especialmente em um contexto de maior presença de potências externas na América do Sul.
Outro ponto criticado por analistas é a condução da agenda energética. A resistência dos Estados Unidos em assumir protagonismo na transição para uma economia de baixo carbono é vista como um erro estratégico de longo alcance. A falta de liderança nesse campo pode comprometer a competitividade econômica do país, reduzir sua influência diplomática em fóruns internacionais e abrir espaço para que outras nações assumam protagonismo em setores estratégicos ligados à energia limpa e às novas tecnologias.
A soma desses fatores, segundo especialistas, tem contribuído para a formação de um vácuo geopolítico. A ausência de uma liderança previsível e coordenada por parte dos Estados Unidos fragiliza alianças, estimula a atuação de atores com interesses divergentes e aumenta a instabilidade internacional. Em um cenário de desafios globais complexos, como mudanças climáticas, crises humanitárias e tensões regionais, a falta de coordenação e de direção clara amplia os riscos e reforça a percepção de um mundo mais fragmentado e volátil.






