A nona fase da Operação Overclean marca um novo avanço nas investigações sobre crimes contra a administração pública e amplia o cerco a uma complexa rede de corrupção envolvendo agentes políticos, empresários e servidores públicos. Nesta etapa, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Bahia e no Distrito Federal.
O deputado federal Félix Mendonça Júnior é apontado como o principal alvo desta fase da operação, o que confere ainda maior relevância política ao caso. Além das diligências, o STF determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida cautelar busca interromper a movimentação de recursos de origem ilícita e preservar valores que poderão ser utilizados para o ressarcimento dos cofres públicos.
Os investigados respondem por uma série de crimes, entre eles organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. As acusações indicam a existência de um esquema estruturado e duradouro, que atuava desde o direcionamento de recursos públicos até a ocultação e dissimulação dos valores desviados, com o objetivo de enriquecimento ilícito e manutenção das práticas criminosas.
Histórico da operação e avanço das investigações
A Operação Overclean teve início em 10 de dezembro de 2024 e, desde então, vem revelando a amplitude de um esquema de desvio de recursos públicos, especialmente oriundos de emendas parlamentares e convênios federais destinados a municípios baianos. As primeiras investigações apontaram superfaturamento de obras e contratos, além do repasse irregular de verbas para empresas e pessoas ligadas a administrações municipais.
Ainda nas fases iniciais, foi identificada a participação de policiais corruptos, que forneciam informações sigilosas ao grupo criminoso. A investigação contou com apoio internacional da Agência de Investigações de Segurança Interna dos Estados Unidos (Homeland Security Investigations – HSI), fundamental para dimensionar o esquema, que teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão. Órgãos federais como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), especialmente sua coordenadoria na Bahia, também foram afetados. Como resultado, oito servidores públicos foram afastados por decisão judicial.
O avanço da operação levou, em junho de 2025, ao afastamento de dois prefeitos baianos durante a quarta fase: Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, de Ibipitanga, e Alan Machado, de Boquira, suspeitos de envolvimento no desvio de emendas parlamentares. Na quinta fase, em julho do mesmo ano, foram identificadas fraudes em licitações e desvios de recursos no município de Campo Formoso, além de tentativas de obstrução das investigações. Na ocasião, o STF determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões.
A sétima fase, deflagrada em outubro, resultou no afastamento de um agente público e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades da Bahia e no Rio de Janeiro. Já a oitava fase ampliou o alcance nacional da investigação, com ações realizadas em Brasília, São Paulo e municípios do Tocantins, confirmando a capilaridade do esquema criminoso.
Combate à corrupção e próximos desdobramentos
Com a nona fase, a Operação Overclean se consolida como uma das mais abrangentes ações de combate à corrupção em curso no país. A atuação integrada da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União e da Receita Federal, com respaldo do STF e cooperação internacional, tem sido decisiva para o avanço das investigações.
Além das prisões e do bloqueio de bens, a operação evidencia o impacto social dos desvios, que retiraram recursos de áreas essenciais como infraestrutura, saúde e educação. A continuidade da Overclean reforça o compromisso das instituições com a responsabilização dos envolvidos e com a proteção do dinheiro público.
As autoridades não descartam novas fases da operação, à medida que o aprofundamento das investigações revele outros envolvidos e desdobramentos do esquema, mantendo o foco na transparência, na integridade da gestão pública e no fortalecimento da confiança nas instituições democráticas.






