Em um tributo à riqueza da música brasileira, a cantora e compositora Jane Duboc foi a atração central de uma edição especial do programa “Cena Musical”, veiculado pela TV Brasil. A performance, intitulada “O Reflexo da Água”, foi um dos destaques da programação de janeiro, mês tradicionalmente dedicado à celebração da Bossa Nova e do vasto cancioneiro nacional. O espetáculo inédito resgatou clássicos da Música Popular Brasileira que encontraram na temática aquática uma profunda fonte de inspiração, oferecendo ao público uma experiência sonora e poética. Gravado no prestigiado Espaço Cultural do BNDES, no Rio de Janeiro, o show não apenas reverencia grandes mestres, mas também reafirma o papel da emissora pública na difusão e valorização da cultura do país, apresentando talentos consolidados e a profundidade de suas obras a uma ampla audiência.
A Celebração da Bossa Nova com Jane Duboc
A Trajetória Artística e a Poesia de “O Reflexo da Água”
Jane Duboc, uma das vozes mais respeitadas da Música Popular Brasileira, entregou uma performance memorável que permeia a delicadeza e a profundidade de canções que, de alguma forma, dialogam com a água – seja em sua forma líquida, metafórica ou simbólica. A escolha temática para “O Reflexo da Água” transcende a Bossa Nova em si, abrangendo um espectro mais amplo do cancioneiro nacional, mas mantendo a sofisticação harmônica e lírica que caracteriza o gênero celebrado em janeiro. Duboc, com sua reconhecida capacidade interpretativa, mergulha em obras que exploram rios, mares, chuvas e a fluidez das emoções humanas, interpretando sucessos que marcaram gerações e influenciaram o cenário musical brasileiro.
Entre as joias lapidadas nesta apresentação, destacam-se “Tenho Sede”, de Dominguinhos e Anastácia, uma canção que evoca a aridez e o desejo por água; “Correnteza”, uma parceria sublime de Tom Jobim e Luiz Bonfá, que personifica o fluxo contínuo da natureza e da vida; e “Todo Azul Do Mar”, de Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, que transporta o ouvinte para a imensidão azul do oceano. Além dessas, o repertório incluiu composições de outros grandes nomes como Dorival Caymmi, mestre em canções praieiras e marinhas, e Fátima Guedes, conhecida por sua poesia visceral. No palco, a versatilidade da artista paraense se manifestou em sua performance vocal e instrumental, ora no violão, ora no teclado, evidenciando seu domínio musical. Ela foi magnificamente acompanhada por uma banda de instrumentistas de alto nível, composta por Pablo Savalla na percussão e vocal, Jefferson Lescowich no baixo acústico, baixo elétrico e vocal, Clarisse Grova na voz e violão, e Leandro Freixo no teclado e vocal, que juntos construíram arranjos ricos e envolventes.
“Cena Musical”: Uma Janela para a Riqueza Sonora Brasileira
O Legado e a Relevância Cultural do Programa e do Espaço BNDES
O “Cena Musical”, programa consolidado da TV Brasil, reafirma-se como um dos principais palcos para a exibição de performances exclusivas da música brasileira. Lançado em 2007, o projeto tem como missão primordial apresentar ao público a diversidade e a riqueza da sonoridade do Brasil, abrangendo uma vasta gama de gêneros e estilos. Desde 2017, as gravações são realizadas no Espaço Cultural do BNDES, no Rio de Janeiro, um local que oferece não apenas uma estrutura técnica impecável, mas também um ambiente de prestígio que eleva a qualidade e a visibilidade das produções. A parceria com o BNDES sublinha o compromisso de ambas as instituições com a valorização e o fomento da cultura nacional.
Com uma janela semanal dedicada a esses espetáculos, o “Cena Musical” tem sido fundamental na revelação de novos talentos e na celebração de ícones da música brasileira. A atual temporada, apresentada pela cantora, jornalista e comunicadora Bia Aparecida, segue a tradição de trazer performances de personalidades de diversos gêneros, garantindo um panorama completo da produção musical do país. Sob a direção de Maíra de Assis e Waldecir de Oliveira, o programa já abrigou em seu palco nomes consagrados como MPB4, Jards Macalé, Elba Ramalho, Francis Hime, Olivia Hime, Gilson Peranzzetta, Geraldo Azevedo e Zé Katimba, além de abrir espaço para a nova geração de artistas que desponta no cenário musical. A inclusão da apresentação de Jane Duboc com “O Reflexo da Água” não apenas enriquece esse valioso acervo, mas também destaca a capacidade da TV Brasil, uma emissora pública, de produzir e difundir conteúdo cultural de alta qualidade, acessível a todos os brasileiros.
A Perenidade da Música Brasileira e Sua Difusão Cultural
A iniciativa de apresentar um show como “O Reflexo da Água”, estrelado por Jane Duboc no programa “Cena Musical” da TV Brasil, transcende a mera exibição televisiva. Ela representa um importante pilar na contínua celebração, preservação e difusão da música brasileira em toda a sua complexidade e beleza. Ao homenagear a Bossa Nova no mês em que o gênero é tradicionalmente lembrado, e ao explorar um tema tão universal e poético como a água através de um repertório cuidadosamente selecionado, o programa não apenas entretém, mas também educa e inspira. A relevância de uma voz como a de Jane Duboc, que transita entre a técnica apurada e a sensibilidade artística, combinada com a estrutura de um programa dedicado à música e a captação em um espaço cultural renomado, reforça a importância de investimentos em produções culturais de qualidade.
A disponibilidade de conteúdos como este em plataformas digitais associadas à emissora pública permite que essa riqueza sonora e cultural alcance um público ainda mais vasto, ultrapassando as barreiras geográficas e temporais da televisão tradicional. Dessa forma, as novas gerações têm a oportunidade de se conectar com a obra de grandes compositores e intérpretes, garantindo que o legado da Música Popular Brasileira permaneça vivo e pulsante. O “Cena Musical” e suas edições especiais, como a de Jane Duboc, são um testemunho vibrante da vitalidade da nossa cultura, servindo como um elo essencial entre o passado glorioso, o presente criativo e o futuro promissor da música do Brasil, um patrimônio imaterial de valor inestimável.






