No atletismo de velocidade, a largada é um dos momentos mais decisivos da prova e pode definir o resultado em milésimos de segundo. Tempo de reação, aplicação da força e potência inicial no bloco são fatores determinantes para o desempenho do atleta. Apesar dessa importância, a análise objetiva da largada sempre enfrentou limitações, principalmente pela dependência de equipamentos laboratoriais caros, pouco portáteis e inviáveis para o uso diário em pistas de treino.
Essa realidade começa a mudar com uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). O chamado Taco de Partida Instrumentado IoT foi criado para democratizar o acesso à análise de desempenho na largada, aliando tecnologia, portabilidade e baixo custo. O dispositivo é resultado de uma tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), em parceria com a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) e com equipes olímpicas e paralímpicas de atletismo do Sesi.
O equipamento transforma um bloco de partida convencional em uma ferramenta tecnológica capaz de medir, em tempo real, a força aplicada pelos pés do atleta e o tempo de reação ao tiro de largada. Para isso, utiliza células de carga acopladas ao bloco e um microcontrolador ESP32, responsável pelo processamento dos dados. As informações são transmitidas via Bluetooth para o aplicativo StartBlock, que permite a visualização imediata de gráficos e indicadores, além do armazenamento dos dados para análises futuras.
Um dos principais diferenciais do projeto é a acessibilidade. Ao contrário de sistemas importados e de alto custo, o taco instrumentado foi desenvolvido com componentes mais simples e facilmente encontrados no mercado, o que torna a tecnologia replicável e adaptável. A proposta também fortalece a produção científica nacional, ao permitir a geração de dados brutos para pesquisas e o envolvimento de estudantes e novos pesquisadores.
Na prática, a tecnologia já vem sendo testada por atletas de alto rendimento do Sesi. Treinadores destacam que o equipamento facilita a identificação de falhas na saída e possibilita ajustes técnicos mais precisos durante o treino. Atletas também ressaltam que o feedback imediato sobre força e tempo de reação contribui diretamente para a melhora do desempenho.
Com resultados promissores, o projeto segue em fase final de ajustes e calibração, com previsão de entrega definitiva à equipe parceira em março de 2026. Além do impacto direto no treinamento esportivo, a expectativa é que o taco de partida instrumentado impulsione novas pesquisas e consolide o Brasil como referência no desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao atletismo.






