O desaparecimento de crianças e adolescentes segue como um dos aspectos mais preocupantes da segurança pública no Brasil. Em 2025, 28% dos registros de pessoas desaparecidas no país envolveram menores de 18 anos, o equivalente a 23.919 casos de um total de 84.760 ocorrências. Na prática, isso representa 66 boletins de ocorrência por dia relacionados ao sumiço de crianças e adolescentes. O número indica um aumento de 8% em relação a 2024, crescimento proporcionalmente maior do que o observado no total geral de desaparecimentos, o que reforça o alerta para a vulnerabilidade desse público.
Os dados também revelam um perfil específico entre as vítimas mais jovens. Embora os homens sejam maioria entre os desaparecidos no país, entre crianças e adolescentes 62% dos casos envolvem meninas, indicando riscos e dinâmicas distintas nessa faixa etária. Especialistas destacam que os desaparecimentos têm causas variadas, que vão desde conflitos familiares e problemas emocionais até situações de violência, sequestro ou fuga como estratégia de sobrevivência. Estudos apontam ainda que a maior parte dos casos ocorre entre sexta-feira e domingo, período associado a menor supervisão e maior circulação.
A legislação brasileira define como desaparecida qualquer pessoa cujo paradeiro seja desconhecido até sua localização, mas pesquisadores defendem classificações mais detalhadas, como desaparecimento voluntário, involuntário, forçado ou estratégico. Essa diferenciação é considerada essencial para orientar investigações, políticas públicas e ações preventivas mais eficazes, especialmente no caso de crianças e adolescentes.
Por trás das estatísticas, há o impacto profundo nas famílias. O relato de Leandro Barboza, pai de um menino de 10 anos que ficou desaparecido por três dias em Curitiba, exemplifica o trauma vivido. O garoto saiu de casa por medo de repreensão e foi localizado após alertas circularem nas redes sociais. Mesmo com o desfecho positivo, o pai relata angústia, medo constante de reincidência e julgamento social. Para ele, além da busca, faltam políticas de apoio psicológico às famílias, tanto durante quanto após os episódios de desaparecimento.
Especialistas defendem que enfrentar o problema exige mais do que registros policiais: passa por prevenção, acolhimento, campanhas educativas e suporte emocional contínuo. Diante do crescimento dos casos envolvendo menores, o desafio é transformar dados alarmantes em ações concretas para proteger crianças e adolescentes e reduzir um fenômeno que segue afetando milhares de famílias brasileiras todos os anos.






