O crescimento do Roblox entre crianças e adolescentes tem levantado alertas sobre práticas de engajamento e segurança na plataforma. Especialistas apontam que parte do sucesso do jogo está ligada a um design pensado para estimular o uso contínuo e o consumo, com mecânicas semelhantes às de cassinos. A economia interna baseada em Robux, moeda virtual comprada com dinheiro real, e a presença de “loot boxes”, em que o jogador paga sem saber qual recompensa receberá, criam ciclos de expectativa e frustração típicos de sistemas de recompensa variável.
Esse modelo, aliado a bônus diários, ofertas por tempo limitado e à pressão social por itens raros, incentiva gastos repetidos e comportamento impulsivo, especialmente entre crianças. A falta de transparência sobre as probabilidades de obtenção de prêmios e a facilidade de compra sem supervisão ampliam os riscos financeiros e psicológicos para as famílias.
Além do aspecto econômico, o Roblox enfrenta críticas relacionadas à segurança. Por ser baseado em conteúdo gerado por usuários, a plataforma tem dificuldade em moderar jogos e interações, o que resulta na circulação de material inadequado e na exposição de menores a abordagens perigosas. Há relatos recorrentes de predadores que utilizam chats e recursos sociais para se aproximar de crianças, favorecidos pela ausência de uma verificação de identidade mais rigorosa.
Diante desse cenário, cresce o debate sobre a necessidade de regulamentação. Especialistas defendem regras mais claras para jogos com mecânicas semelhantes a apostas, exigindo transparência, limites de gastos e controles parentais mais eficazes. A discussão envolve também a responsabilidade das empresas de tecnologia em adotar práticas éticas de design e investir em moderação ativa, colocando a proteção infantil no centro da inovação digital.






