
Na noite de amanhã, sexta-feira (6), às 18h, a literatura brasileira ganhará mais uma obra necessária que mergulha em um daqueles capítulos sombrios e pouco discutidos da história recente do país. O cientista social, artista e professor Renan Costa de Negri lança seu terceiro livro, “Memórias Enterradas: vidas esquecidas”, em um evento aberto ao público no histórico Bar Cruzeiro, tradicional espaço cultural da cidade de Piracicaba (SP).
Após a escrita de Existências Rebeldes (volumes 1 e 2), Negri volta-se à ficção histórica para dar voz a quem o Estado tentou silenciar. O novo romance explora o uso de manicômios como instrumentos de tortura e repressão política durante a ditadura militar — uma estratégia cruel de controle sobre mentes e corpos dissidentes.
A semente foi plantada em 2022, quando o autor, em pesquisas no Arquivo Nacional, deparou-se com registros de presos políticos que, após as violências infligidas nas sessões de tortura, eram enviados às instituições psiquiátricas durante a ditadura civil-militar. O interesse pelo tema crescia enquanto lia reportagens da jornalista Amanda Rossi, que mapeou 24 casos de abusos no período. Após um hiato para a conclusão de outros projetos, o livro ganhou corpo durante o ano de 2025.
O autor, conhecido por seu olhar histórico e crítico sobre a ditadura civil-militar, traz na bagagem a participação e experiência de produção e pesquisa no documentário Não é Permitido: um recorte da censura ao Punk Rock no Brasil, que apresenta entrevistas com artistas do gênero sobre os processos de tentativa de silenciamento das bandas paulistas.
Renan destaca que a obra, embora ficcional, carrega o peso da realidade:
“Este livro traz para a ficção uma história indigesta de nosso país e ainda pouco explorada. Pode haver muito mais a descobrir sobre o tema e é urgente resgatarmos o passado para não permitir que abusos como esses se repitam, ou ganhem força na sociedade e na política em geral.”
Sobre as influências e o protagonismo feminino na narrativa, explica:
“A violenta história dos manicômios no Brasil me chamou a atenção ao entrar em contato com o livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, quando iniciei minha carreira docente, e também pelos relatos de minha mãe sobre visitas a um manicômio quando trabalhava na vigilância sanitária. A escolha por uma jornalista como protagonista buscou respeitar o fato de que foram delas [Amanda Rossi e Daniela Arbex] que abracei algumas fontes para a narrativa.”
Nesta semana, o autor divulgará em suas redes sociais trechos de algumas de suas fontes e espera ajudar o leitor a compreender um pouco mais dessa história marcante.







