António José Seguro foi eleito presidente de Portugal após vencer o segundo turno das eleições presidenciais com mais de 3,3 milhões de votos, consolidando uma vitória ampla sobre André Ventura, que obteve cerca de 1,6 milhão. O pleito foi marcado por forte polarização e por uma taxa de abstenção próxima de 50% entre os mais de 11 milhões de eleitores aptos, índice que segue uma tendência observada em democracias europeias.
O resultado coloca Seguro em um grupo restrito de presidentes que superaram a marca de três milhões de votos desde a redemocratização do país, em 1976. Antes dele, apenas António Ramalho Eanes, Mário Soares — em duas eleições — e Jorge Sampaio haviam alcançado esse patamar, o que confere à vitória um peso histórico e reforça a legitimidade do novo chefe de Estado.
A eleição representa a 11ª escolha presidencial desde o fim do regime autoritário e inaugura um novo ciclo político no Palácio de Belém. Seguro sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, cujo mandato termina em março de 2026, e assume a presidência em um contexto de desafios econômicos, sociais e institucionais, além da necessidade de fortalecer a participação cívica. Em um sistema semipresidencialista, sua relação com o governo e o Parlamento será decisiva para o equilíbrio político e a estabilidade institucional nos próximos anos.






