A investigação policial que durou cerca de três meses revelou a existência de uma ampla e estruturada rede de exploração sexual infantil supostamente liderada por um piloto preso pela Polícia Civil. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, o suspeito era o principal articulador do esquema, envolvendo abuso sexual e produção de pornografia infantil. Ele mantinha contato direto com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e utilizava documentos falsos ou de terceiros maiores de idade para levá-las a motéis. Em um dos casos mais graves, uma menina teria sido abusada desde os oito anos e permaneceu sob exploração até os doze, evidenciando um padrão prolongado e sistemático de violência. A polícia destacou que os contatos não se restringiam ao ambiente virtual, evoluindo para encontros presenciais marcados por extrema brutalidade, com danos físicos e psicológicos permanentes às vítimas.
Corrupção de familiares e esquema financeiro
As investigações apontam que o piloto também corrompia familiares das vítimas para garantir acesso às crianças. Ele procurava mães e avós, oferecendo dinheiro e benefícios em troca do silêncio e da permissão para os abusos. Os pagamentos variavam entre R$ 30 e R$ 100 por fotos e vídeos das meninas, material posteriormente utilizado para fins criminosos. Além do dinheiro, o suspeito custeava medicamentos, aluguel e até bens domésticos, criando um ciclo de dependência financeira. A estratégia explorava diretamente a vulnerabilidade social das famílias envolvidas.
Cumplicidade e número de vítimas
A operação “Apertem os Cintos” revelou ainda a participação direta de duas mulheres, presas por envolvimento no esquema. Uma delas, avó de três meninas, teria entregue as próprias netas ao criminoso. A outra, mãe de uma das vítimas, não apenas permitia os abusos como também enviava fotos e vídeos da filha ao agressor. Até o momento, a polícia identificou dez vítimas diretas, mas a análise do celular do piloto indica a existência de dezenas de outras crianças e adolescentes explorados, a maioria com idades entre 12 e 13 anos.
Violência, prisão e continuidade das investigações
Relatos colhidos pela polícia apontam para violência extrema. Uma das vítimas apresentava ferimentos recentes decorrentes de agressões ocorridas em um motel poucos dias antes da prisão. O piloto foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em uma ação estratégica para evitar fuga ou destruição de provas, já que sua profissão envolvia constantes deslocamentos. Após a prisão, ele prestou depoimento e revelou ser casado pela segunda vez e pai de filhos do primeiro casamento. A atual esposa, psicóloga, afirmou desconhecer completamente os crimes. A Polícia Civil segue com as investigações para identificar todas as vítimas, responsabilizar cúmplices e garantir apoio psicológico e jurídico às crianças e adolescentes afetados.






