O Brasil captou US$ 4,5 bilhões no mercado financeiro internacional com a emissão de títulos soberanos, em operação realizada nos Estados Unidos. A transação marca a primeira ida do Tesouro Nacional ao mercado externo em 2026 e foi impulsionada pela forte demanda de investidores estrangeiros por ativos brasileiros.
A operação envolveu a emissão de um novo título de dez anos, o Global 2036, e a reabertura de um papel com vencimento em 2056. O Global 2036 respondeu pela maior parte da captação, com US$ 3,5 bilhões, enquanto o título de 30 anos levantou US$ 1 bilhão.
O Global 2036, com vencimento em maio de 2036, paga juros de 6,4% ao ano e cupom de 6,25%, com spread de 220 pontos-base sobre os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O volume captado é o maior já registrado pelo Brasil em emissões externas com esse prazo, mesmo com taxas ligeiramente superiores às da última operação similar, realizada em novembro.
Já o Global 2056, com vencimento em janeiro de 2056, oferece juros de 7,3% ao ano e cupom de 7,25%, com spread de 245 pontos-base. As condições representam melhora em relação à emissão anterior do mesmo papel, feita em setembro do ano passado, quando os juros chegaram a 7,5%. O spread atual é o menor para um título brasileiro de 30 anos desde 2014.
A demanda total alcançou cerca de US$ 12 bilhões, equivalente a 2,7 vezes o volume ofertado, sinalizando forte apetite do mercado internacional. A operação foi coordenada por bancos como HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo.
Os recursos captados serão incorporados às reservas internacionais do país, fortalecendo a posição cambial e reforçando a percepção de menor risco da dívida pública brasileira no longo prazo. O resultado da emissão indica confiança dos investidores na economia e na capacidade do Brasil de acessar o mercado global em condições competitivas.






