A Polícia Federal (PF) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que declare a suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. O pedido foi protocolado na segunda-feira (9) e adiciona nova tensão a um caso de forte repercussão no meio jurídico e financeiro.
A solicitação ocorreu após a PF identificar, em perícia no celular do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master e um dos principais investigados —, uma menção ao nome de Toffoli. O aparelho foi apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes estimado em até R$ 17 bilhões. O conteúdo exato da referência está sob sigilo, mas foi considerado relevante o suficiente para motivar o pedido de afastamento do ministro.
Toffoli já havia sido alvo de questionamentos anteriores por sua permanência no caso. Reportagens apontaram que um fundo ligado ao Banco Master teria adquirido cotas de um resort no Paraná pertencente a familiares do ministro, o que levantou suspeitas de possível conflito de interesses. À época, o gabinete do magistrado contestou as críticas.
Em nota recente, a defesa de Toffoli afirmou que a PF não tem legitimidade para pedir sua suspeição, com base no artigo 145 do Código de Processo Civil, e classificou o pedido como fundamentado em “ilações”. O ministro deve apresentar manifestação formal a Fachin, responsável por decidir se mantém ou não o colega na relatoria.
O caso Banco Master é considerado um dos maiores escândalos financeiros recentes. As investigações apontam para emissão de créditos sem lastro e tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), antes da liquidação determinada pelo Banco Central. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisou aprovar medidas emergenciais para reduzir impactos no sistema financeiro.
A decisão de Fachin sobre a suspeição de Toffoli terá peso institucional e poderá influenciar o andamento das investigações, além de repercutir na imagem do STF em meio a um processo de alta sensibilidade política e econômica.






