A Luta Alvinegra na Altitude Boliviana
O Cenário Adverso de Potosí e o Impacto Físico
A experiência do Botafogo em Potosí foi um autêntico teste de resistência e adaptabilidade. O Estádio Víctor Agustín Ugarte, situado em uma das cidades mais elevadas do mundo, apresentou um desafio implacável para os atletas brasileiros. Desde os primeiros minutos do embate válido pela Pré-Libertadores, a baixa oxigenação característica de 4.200 metros acima do nível do mar manifestou-se na performance em campo. Jogadores de ambas as equipes, mas de forma mais acentuada nos visitantes, demonstraram fadiga precoce, perda de velocidade e dificuldade na recuperação muscular. Passes que habitualmente seriam precisos se perdiam, corridas intensas eram abreviadas e a coordenação motora parecia comprometida. O técnico Martín Anselmi, ciente das adversidades impostas pela altitude, tentou ajustar a equipe, mas a condição física imposta pelo ambiente superou, em muitos momentos, a estratégia tática do Botafogo.
A partida, consequentemente, teve uma qualidade técnica aquém do esperado para um torneio de tamanha envergadura como a Copa Libertadores. O ritmo foi lento, as transições, arrastadas, e os momentos de brilhantismo individual foram raros. Mesmo diante de um cenário tão desfavorável, onde a bola tendia a acelerar mais e a trajetória era alterada, oportunidades de gol surgiram para os dois lados do confronto entre Botafogo e Nacional Potosí. O Nacional Potosí, embora teoricamente mais habituado à altitude, também sentiu os efeitos, mas conseguiu gerenciar melhor o desgaste, explorando a menor capacidade de reação do time brasileiro. A torcida local, presente em bom número, soube impulsionar sua equipe, que se mostrava mais à vontade em um ambiente que, para muitos clubes do continente, é considerado um adversário invisível e poderoso na Libertadores.
O Gol de Baldomar e os Próximos Passos do Botafogo
A Batalha Tática e a Necessidade de Reversão no Nilton Santos
O momento decisivo do confronto entre o Botafogo e o Nacional Potosí ocorreu no início do segundo tempo. Aos poucos minutos da etapa complementar, o lateral Baldomar conseguiu romper a defesa alvinegra e balançou as redes, garantindo a vantagem mínima para o time boliviano. Este gol, além de dar a vitória aos anfitriões na Pré-Libertadores, elevou a responsabilidade do Botafogo para o jogo de volta. O Alvinegro de General Severiano, sob a batuta de Martín Anselmi, agora se vê obrigado a reverter o placar no Estádio Nilton Santos, seu caldeirão no Rio de Janeiro, em um confronto que se anuncia como decisivo para o futebol brasileiro no cenário continental.
A próxima quarta-feira, dia 25, às 21h30 (horário de Brasília), será um dia crucial para as aspirações do Botafogo na Libertadores. As condições para a classificação são claras e exigentes para o clube carioca. Para avançar diretamente à próxima fase prévia da competição, o time precisará vencer por uma vantagem de, no mínimo, dois gols de diferença. Um triunfo simples, com placar de 1 a 0, por exemplo, levará a decisão da vaga para a disputa de pênaltis, um cenário sempre imprevisível e que adiciona uma camada extra de tensão ao confronto. O Estádio Nilton Santos, com o apoio fervoroso de sua torcida, será o palco onde o Botafogo buscará não apenas a vitória, mas uma performance que demonstre sua real capacidade, livre das amarras da altitude. A preparação física e mental para este embate será fundamental, visto que a equipe precisará impor um ritmo intenso desde o apito inicial para superar o adversário boliviano e seguir adiante na Copa Libertadores.
O Tropeço do Bahia e o Desafio Brasileiro nas Fases Prévias
A mesma quarta-feira que marcou o revés do Botafogo na Bolívia também testemunhou outro tropeço de um representante do futebol brasileiro nas fases prévias da Copa Libertadores. O Esporte Clube Bahia, viajando até o Chile, foi derrotado pelo O’Higgins pelo placar de 1 a 0. A partida ocorreu no Estádio El Teniente, na cidade de Rancágua, e também trouxe consigo um desafio significativo para o clube tricolor. Diferente do Botafogo, que sofreu o gol na segunda etapa, o Bahia foi surpreendido logo aos três minutos do primeiro tempo, quando o atacante Francisco González acertou um belo chute, colocando o time chileno em vantagem. Este resultado sublinha a complexidade e a imprevisibilidade dos confrontos fora de casa nas etapas iniciais do torneio continental, onde fatores como o ambiente, a adaptação e a pressão dos torcedores locais desempenham um papel relevante para o avanço das equipes.
Ambas as equipes brasileiras, Botafogo e Bahia, encontram-se agora em situações análogas: precisam reverter a desvantagem mínima em seus respectivos jogos de volta, em casa, para manterem vivas as esperanças de avançar na competição. Para o Bahia, a tarefa é idêntica à do Botafogo: uma vitória por dois ou mais gols de diferença em Salvador garante a classificação direta. Um triunfo por um único gol, por sua vez, levará a decisão para as penalidades máximas. Estes resultados iniciais servem como um alerta para o futebol brasileiro, mostrando que a superioridade técnica frequentemente atribuída aos clubes do país não se traduz automaticamente em vitórias fáceis em confrontos eliminatórios, especialmente em condições adversas e contra adversários determinados. A fase prévia da Libertadores, com seus desafios geográficos e táticos, exige máxima concentração e eficiência dos clubes. A próxima semana será decisiva para o futuro de Botafogo e Bahia na busca pela tão sonhada glória eterna, consolidando suas presenças na fase de grupos da Copa Libertadores.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br