Estudo da Fipe mostra que custos da Santa Casa e do Hospital dos Fornecedores de Cana superam a média de 27 instituições filantrópicas. Mas nem por isso as filas andam na velocidade esperada
Um estudo comparativo de cirurgias e tratamentos médicos mostra que a Santa Casa de Piracicaba e o Hospital dos Fornecedores de Cana cobram muito acima da média pelos mesmos serviços oferecidos por 27 instituições filantrópicas. A variação encontrada chega a quase 10 vezes, em alguns casos. Apesar disso, a fila de cirurgias e tratamentos especializados pouco tem andado nos dois hospitais de Piracicaba.
O estudo foi elaborado pela Fipe, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, ligada à Universidade de São Paulo, com base em dados da Planisa, uma das empresas mais respeitadas no mercado de gestão de custos de saúde.
A Fipe conseguiu comparar 16 cirurgias e tratamentos e mostrou que as discrepâncias de custo em Piracicaba são gritantes. Um implante de prótese valvar, por exemplo, custa R$ 38.962,00 na média das 27 instituições filantrópicas. Mas, na Santa Casa de Piracicaba, ele custa R$ 64.087,00, uma diferença superior a 25 mil reais.
O Hospital dos Fornecedores de Cana recebe R$ 20.606,00 por uma laparotomia exploradora. Mas, na média das 27 instituições filantrópicas, ela custa R$ 6.327,00, três vezes menos. Ou seja, o HFC fica com uma diferença de mais de 14 mil reais, quando executa esse procedimento.
Santa Casa e Fornecedores de Cana se beneficiam de três fontes de receitas públicas. Eles recebem o repasse federal da Tabela SUS, complementado pela Tabela SUS Paulista, criada pelo governador Tarcísio de Freitas para tirar as instituições filantrópicas do sufoco financeiro. Mas, em Piracicaba, os dois hospitais têm um complemento extra: repasses diretos da Prefeitura de Piracicaba, através de convênios criados antes do SUS Paulista.
Desde o ano passado, a Prefeitura de Piracicaba está em negociação com os hospitais para renovar os convênios com base em dados técnicos. O plano de melhoria nos atendimentos e redução das filas contou com a consultoria da Fipe. As conversas já duram 11 meses e devem ser concluídas na próxima semana.
O ponto principal é que, com três fontes de financiamento, Santa Casa e Fornecedores já poderiam ter elevado o ritmo de atendimento e reduzido filas. Os repasses da Prefeitura, por exemplo, cresceram 2.200% desde sua implantação, em 2012. Mas o número de cirurgias e procedimentos não acompanhou esse elevado aumento de custos. Na prática, o contribuinte de Piracicaba está pagando mais por um serviço que não se expandiu como deveria.
*** Com informações da Thathi Record