ENTREVISTA | “Temos de mostrar aos jovens que o mundo do trabalho é diferente daquilo que veem e ouvem na internet”, diz Ophir Figueiredo Junior, diretor do SENAI-SP
COLUNAS
22 de fevereiro de 2026 · 4 min de leitura

ENTREVISTA | “Temos de mostrar aos jovens que o mundo do trabalho é diferente daquilo que veem e ouvem na internet”, diz Ophir Figueiredo Junior, diretor do SENAI-SP

Foto: Divulgação
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Ophir Figueiredo Junior é gestor e professor com destacada trajetória no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (SENAI-SP), atuando como diretor de unidades na região de Piracicaba. É reconhecido por promover inovações na educação profissional e fortalecer a conexão entre o ensino técnico e a indústria.

Em entrevista ao PIRANOT, ele falou sobre gestão, cursos oferecidos, carreira e o futuro do SENAI.

Quais são hoje as áreas com maior demanda por mão de obra qualificada na região de Piracicaba?
Metalmecânica (usinagem convencional e CNC), mecânica de manutenção, qualidade, construção civil, gestão, eletroeletrônica, metalurgia (solda e caldeiraria), automotiva e TI, entre outras.

O SENAI tem percebido dificuldade das indústrias em encontrar profissionais qualificados? Em quais setores isso é mais evidente?
A tão falada falta de mão de obra está associada a uma série de fatores, principalmente quando falamos da população mais jovem (gerações Y e Z), que busca oportunidades com características diferentes das normalmente oferecidas — como flexibilidade de horário, possibilidade de trabalho remoto e menos burocracia nas relações. Não está associada a uma área específica, embora setores como TI consigam, em certa medida, oferecer essas condições. Políticas de RH, novas formas de recrutamento e incentivos também podem ser determinantes para atrair e reter talentos.

Os cursos oferecidos atualmente acompanham as transformações tecnológicas da indústria 4.0?
Dentro da Engenharia Educacional do SENAI-SP, os cursos são desenvolvidos em conjunto por profissionais da indústria e educadores do SENAI, que compõem um Comitê Técnico Setorial. Isso garante que o conteúdo esteja alinhado às práticas do setor. Após a conclusão, os cursos passam por avaliações periódicas para atualização, acompanhando o avanço tecnológico.

Como o SENAI prepara os alunos para lidar com automação, digitalização e novas tecnologias industriais?
No SENAI, a tônica é “aprender fazendo”. Assim, diversas atividades práticas permitem que o aluno tenha contato direto com novas tecnologias ao longo da formação.

Há previsão de ampliação ou criação de novos cursos para atender demandas específicas das indústrias locais?
Dentro da Engenharia Pedagógica, os cursos são constantemente atualizados em forma e conteúdo. Equipes especializadas monitoram o mercado nacional e internacional para avaliar tecnologias emergentes e incorporá-las à grade.

Os cursos atendem tanto jovens quanto trabalhadores em requalificação?
Sim. O SENAI atende jovens e adultos. A idade mínima é de 14 anos e não há limite máximo, desde que haja disposição para aprender.

De que forma o SENAI contribui para o desenvolvimento econômico e industrial de Piracicaba e região?
O SENAI mantém articulação com diversos colegiados e entidades locais — como COMEDIC, CMCTI, CTER, CIESP, SIMESPI, sindicatos, SEBRAE, Parque Tecnológico e prefeituras — para acompanhar demandas atuais e futuras e adaptar seu portfólio.

Como atua na inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade social?
Cerca de 70% das vagas são gratuitas, permitindo acesso à formação profissional. “Quem pode paga, quem não pode não paga”, resume.

Quais parcerias mantém com entidades empresariais?
O SENAI atua com diversas instituições. Um exemplo é o projeto “Indústria do Amanhã”, realizado com SIMESPI, Sindicato dos Metalúrgicos, ONG Exército de Formiguinhas e a Cúria Diocesana, que capacitou jovens em vulnerabilidade com transporte e alimentação gratuitos. Muitos foram contratados por empresas parceiras.

Quais são os principais desafios na formação profissional hoje?
Atualizar constantemente os cursos e adotar metodologias mais ágeis para torná-los atrativos aos jovens. Também é necessário mostrar que o mundo do trabalho é diferente do que se vê nas redes sociais.

Quais são os diferenciais do SENAI Piracicaba?
Segundo Ophir, o SENAI não é melhor nem pior — é diferente. Mantido pela indústria, adota padrões do setor, com rigor em horários, comportamento e frequência. Valoriza tanto as soft skills (competências comportamentais) quanto as hard skills (técnicas), além de apoiar empresas na indicação de alunos e ex-alunos para vagas.

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