segunda-feira, março 2

A Polícia Civil do Estado da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Argos com o objetivo de desarticular uma sofisticada organização criminosa armada dedicada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro em escala industrial. A ofensiva é conduzida por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em atuação conjunta com o Ministério Público da Paraíba, por intermédio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO).

A operação mobiliza mais de 400 policiais civis e conta com o suporte da Unidade de Inteligência (UNINTELPOL), do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Coordeam, das Delegacias de Repressão a Entorpecentes de João Pessoa e Campina Grande, além de delegacias vinculadas à 1ª, 2ª e 3ª Superintendências. Em São Paulo, a ação teve apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio do DENARC, do Deic de São Bernardo do Campo e do Deic de Piracicaba, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e do Mato Grosso.

Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 13 cidades distribuídas por quatro estados: Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. O foco central da ofensiva é a chamada “asfixia patrimonial” do grupo, com bloqueio judicial de R$ 104.881.124,34 em ativos financeiros.

A Justiça também determinou o sequestro de 13 imóveis de alto padrão e 40 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, incluindo automóveis importados e estruturas utilizadas na logística do tráfico.

Segundo as investigações, iniciadas em 2023 após sucessivas apreensões de drogas atribuídas ao grupo, a organização possuía estrutura hierárquica bem definida, dividida em núcleo gerencial, responsável pelas decisões estratégicas a partir de São Paulo; núcleo operacional na Paraíba, com células regionais em cidades como João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras; e um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro, com uso de “laranjas”, empresas de fachada e contas bancárias para ocultação e integração de recursos ilícitos à economia formal.

O principal alvo da operação é um homem natural de Cajazeiras (PB). Radicado em São Paulo desde a juventude, ele possui extenso histórico criminal e, conforme a apuração, teria se consolidado como o maior fornecedor de cocaína para a Paraíba e regiões de Pernambuco e Ceará. De acordo com a Polícia Civil, sua ascensão financeira foi marcada pela ostentação de alto padrão de vida, viagens internacionais e aquisição de patrimônio em nome de terceiros.

O indivíduo foi preso na manhã de hoje em Hortolândia (SP), durante ação conjunta da Draco com o Deic de Piracicaba.

As diligências da Operação Argos foram realizadas nos municípios de João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, na Paraíba; São Paulo (capital), São Bernardo do Campo e Hortolândia, em São Paulo; Cândido Sales, na Bahia; e Nova Santa Helena, no Mato Grosso.

O nome da operação faz referência a Argos, personagem da mitologia grega conhecido por seus cem olhos, simbolizando a vigilância constante das forças de segurança no combate ao crime organizado, com foco não apenas na prisão de integrantes, mas na desarticulação financeira das estruturas criminosas.

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Jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), estagiou como fotógrafo e jornalista na Câmara de Vereadores de Piracicaba.

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