Diesel sobe 26% em três semanas e chega a R$ 7,22 com risco de pressionar inflação
O preço médio do diesel no Brasil subiu de R$ 5,74 para R$ 7,22 entre o final de fevereiro e o dia 19 de março de 2026 — alta de 26% em três semanas. O aumento eleva custos de transporte e pode pressionar preços de alimentos e serviços em até um mês, segundo especialistas. A alta foi desencadeada pela guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do barril de petróleo em 80% em 20 dias. Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado diretamente no mercado internacional.
O que mostram os dados
Levantamento da TruckPag, empresa de gestão de frotas, contabilizou 143 mil transações em 4.664 postos — 94% deles em rodovias. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis registrou alta de 11% na semana anterior. Os dados oficiais têm janela de atraso de três dias para coleta e análise, o que pode subestimar variações bruscas.
São Paulo registrou aumento de 27% no preço do litro. Tocantins teve a maior alta percentual do país (37,1%), seguido por Santa Catarina (29,9%) e Piauí (28%). O impacto atinge diretamente o agronegócio e o transporte de cargas do interior paulista.
A reação do governo
O governo federal anunciou redução de tributos e subsídio de R$ 0,32 por litro, mas o efeito ainda não chegou às bombas. Em paralelo, a ANP notificou a Petrobras para ofertar imediatamente os volumes de diesel e gasolina dos leilões cancelados em março. O governo também avalia pedir indenizações contra distribuidoras e postos para conter a alta. Distribuidoras relataram cortes no fornecimento de combustíveis.
"O preço transacionado no posto já subiu quase R$ 1,50 na média nacional desde 28 de fevereiro", disse Kassio Seefeld, CEO da TruckPag. Especialistas estimam que a pressão inflacionária pode começar a aparecer em cerca de um mês, dependendo da duração do conflito e do fechamento do Estreito de Ormuz.
Com informações de G1.
