A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Fallax, uma megaofensiva contra fraudes bancárias e lavagem de capitais conduzida a partir da delegacia de Piracicaba (SP). Com 21 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão cumpridos em três estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia), a operação desarticulou um esquema cujos prejuízos aos cofres públicos, especificamente à Caixa Econômica Federal, superam R$ 500 milhões.
Como funcionava o esquema
A estrutura era sofisticada. Segundo os investigadores da PF, o grupo criminoso atuava na criação em larga escala de pessoas jurídicas fictícias (a Justiça autorizou a quebra de sigilo de 172 empresas ligadas ao esquema). Essas empresas de fachada possuíam padrões definidos: capital social simulado, faturamento manipulado e documentação contábil fraudulenta.
O segundo pilar era a cooptação de gerentes bancários e funcionários das instituições financeiras, que forneciam informações privilegiadas e inseriam dados falsos nos sistemas para aprovar os empréstimos milionários sem a devida análise de crédito real.
O terceiro ponto era a integração com o crime organizado. As investigações apontam que o esquema utilizava uma rede de “laranjas” ligada a membros do Comando Vermelho para circular o dinheiro. O fluxo ilícito entrava nas empresas, viabilizava pagamentos cruzados para simular um histórico bancário e, posteriormente, os valores roubados eram convertidos em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento.
Os nomes por trás da fraude
Os mandados de busca e apreensão miraram a cúpula do Grupo Fictor, holding financeira no centro das investigações. No topo da hierarquia investigada estão Rafael de Góis, fundador e CEO da Fictor, e Luiz Phillippe Gomes Rubini, ex-sócio do grupo que deixou a empresa no final de 2024.
A ligação com o Comando Vermelho, segundo a PF, era operada por indivíduos como Thiago Brando de Azevedo, o “Ralado”, apontado como um dos responsáveis por movimentar os recursos da facção através da rede empresarial de fachada, lavando o dinheiro do tráfico.
Ação da PF e bloqueio de ativos
O papel da Polícia Federal de Piracicaba foi central para o desmantelamento da estrutura, após meses mapeando a rota do dinheiro. Além das prisões e buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 47 milhões em bens dos investigados, incluindo imóveis, veículos e contas bancárias, com o objetivo de estrangular financeiramente a organização criminos.
O que dizem os citados
Grupo Fictor (sobre Rafael Góis): Confirmou que o CEO foi alvo de busca e apreensão, mas ressaltou que apenas o seu celular foi apreendido. A nota afirma que “tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos”.
Defesa de Luiz Phillippe Rubini: O advogado criminalista Rodrigo De Grandis, que representa o ex-sócio, informou à imprensa que a defesa não teve conhecimento prévio do processo e que “se manifestará oportunamente”.
