Piracicaba consolidou nesta semana sua posição como o maior polo de inovação agrícola da América Latina. A formalização da gestão do Parque Tecnológico pelo Pecege, somada a pacotes de incentivos fiscais estaduais e municipais, está atraindo dezenas de startups de polos tradicionais como Campinas e São José dos Campos para o novo Distrito de Inovação no bairro Santa Rosa.
O movimento faz parte de uma estratégia de longo prazo para transformar o chamado “Vale do Silício Caipira” em um centro global de exportação de tecnologia. O foco central é a redução de custos operacionais. Por meio da Lei Municipal nº 6.621/2009, empresas de base tecnológica instaladas no Parque Tecnológico garantem 100% de isenção de IPTU por cinco anos, alíquota mínima de 2% de ISS e isenção total de ITBI na aquisição de imóveis.
No âmbito estadual, o ProInovação (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica) permite a utilização de créditos acumulados de ICMS para investimentos em centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Essa combinação tributária, rara em outros estados, criou um “oásis” para as AgTechs no interior paulista.
“Damos um passo decisivo para consolidar o parque como uma referência em inovação, pesquisa e empreendedorismo”, afirmou o prefeito Helinho Zanatta durante a formalização da nova gestão. Segundo ele, a meta é integrar o conhecimento acadêmico da Esalq/USP com a agilidade do mercado privado.
Impacto no Santa Rosa e Reserva Jequitibá
A expansão do Distrito de Inovação reflete diretamente no mercado imobiliário. Áreas adjacentes ao Parque Tecnológico, como o bairro Santa Rosa e a Reserva Jequitibá, registram valorização acelerada. A chegada da “Cidade Universitária” e de novos laboratórios globais de biotecnologia elevou a demanda por residências de alto padrão e infraestrutura logística.
Ricardo Shirota, presidente do Pecege, enfatiza a responsabilidade da nova gestão:
“Para o Pecege, assumir a gestão do Parque Tecnológico é, ao mesmo tempo, um grande desafio e uma enorme oportunidade. Queremos ser o motor que conecta startups a grandes investidores e produtores rurais”.
Por que as startups estão trocando Campinas por Piracicaba?
Diferente do ecossistema de Campinas, que é diversificado, Piracicaba oferece um ecossistema verticalizado e denso no agronegócio. Em um raio de poucos quilômetros, uma startup tem acesso ao corpo docente da Esalq, ao suporte educacional do Pecege, a cooperativas gigantes e ao Parque Tecnológico. Essa “massa crítica” setorial compensa qualquer vantagem logística de São Paulo ou do Vale do Paraíba.
Thais Fornicola, secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, reforça que o Parque Tecnológico inicia um novo ciclo de maturidade.
“Com a gestão do Pecege, o foco passa a ser o resultado prático e o fomento direto à criação de empregos qualificados na região”, pontuou.
Fontes: Portal da Prefeitura de Piracicaba, Secretaria de Finanças.
