O Banco Central (BC) desenvolve novas funcionalidades para o PIX em 2025, ano em que o sistema de pagamentos instantâneos voltou ao centro do debate internacional. Nesta quarta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a ferramenta brasileira. Ele argumentou que o sistema prejudica gigantes de cartão de crédito como Visa e Mastercard. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “ninguém vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX”.
A declaração de Lula ocorreu após orientação do ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira. O presidente brasileiro reforçou o compromisso do governo com o sistema, que completou cinco anos e se consolidou como instrumento de inclusão financeira para milhões de brasileiros.
Novidades previstas para 2025
O Banco Central trabalha em três principais funcionalidades para este ano. A Cobrança Híbrida, prevista para se tornar obrigatória em novembro, permitirá o pagamento via QR code de cobranças que também podem ser pagas por boleto. A funcionalidade já é oferecida de forma facultativa, mas passará a ser obrigatória para todas as instituições.
O pagamento de duplicatas escriturais via PIX será outra novidade, funcionando como alternativa aos boletos bancários. A funcionalidade permitirá a antecipação de recebíveis com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais para empresas.
O BC também prepara o split tributário, adequação prevista para o fim do ano ao sistema de pagamento de impostos em tempo real desenvolvido pela Receita Federal. A partir de 2027, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra realizada por meio eletrônico.
Funcionalidades em desenvolvimento para 2027
Três funcionalidades estão previstas para 2027, a depender dos recursos disponíveis no Banco Central. O PIX internacional deve permitir pagamentos transfronteiriços de forma definitiva entre países, interligando sistemas de pagamento instantâneos. Atualmente, o PIX já é aceito em alguns países como Argentina, Estados Unidos e Portugal, mas de forma parcial.
O PIX em garantia funcionará como modalidade de crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. Esses trabalhadores poderão usar recebíveis futuros como garantia de empréstimos bancários, possibilitando a liberação de recursos com juros mais acessíveis.
Já o PIX por aproximação em modelo offline permitirá pagamentos mesmo sem conexão com a internet. A funcionalidade amplia o alcance do sistema para situações em que o usuário não tem acesso à rede, seja por Wi-Fi ou rede móvel.
PIX Parcelado e números do sistema
O Banco Central também discute regras para o PIX Parcelado, alternativa que pode beneficiar cerca de 60 milhões de pessoas sem acesso ao cartão de crédito. Embora o parcelamento já seja oferecido por diversas instituições, o BC pretende padronizar as regras para favorecer a competição entre bancos e reduzir os juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.
Os números do PIX confirmam o sucesso da ferramenta. Em 2024, o sistema registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. A plataforma foi responsável pela inclusão de milhões de pessoas no sistema financeiro e estimulou a economia, especialmente pequenos negócios que antes tinham dificuldades em receber pagamentos.
O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, afirmou que o país está próximo de ter toda a população adulta utilizando o PIX. Segundo ele, muitas pessoas que antes não utilizavam suas contas passaram a pagar contas pelo celular, mudando seu comportamento financeiro após a implementação do sistema.
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