A série Love Story: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette, disponível na Disney+, mergulha na trajetória do casal que se tornou obsessão nacional nos Estados Unidos nos anos 1990. O herdeiro do clã Kennedy e a ex-assessora de moda da Calvin Klein tiveram seu romance acompanhado de perto pela imprensa internacional, com direito a perseguições de paparazzi, especulações de tabloides e um desfecho trágico em julho de 1999, quando morreram em um acidente aéreo.
Lançada em abril deste ano com nove episódios, a produção de Ryan Murphy é baseada parcialmente na biografia Once Upon a Time: The Captivating Life of Carolyn Bessette-Kennedy, de Elizabeth Beller, lançada em 2024 e ainda sem tradução para o português. No início de cada capítulo, a série exibe um aviso ao espectador: “Esta história é inspirada em eventos reais. Certas retratações de pessoas e eventos foram dramatizados ou ficcionalizados para propósitos de narrativa”.
Carreira e vida profissional: o que a série acerta
Fracasso no exame da Ordem: verdade. John F. Kennedy Jr. reprovou duas vezes no exame da Ordem dos Advogados de Nova York antes de ser aprovado na terceira tentativa, em julho de 1990. O tabloide New York Post estampou na época a manchete “The Hunk Flunks” (O Ganhão Reprova). Carreira no Direito: também corresponde à realidade. Kennedy trabalhou por quatro anos como promotor assistente no gabinete de Robert Morgenthau, em Manhattan, e venceu todos os seis casos que levou a julgamento. Biógrafos confirmam, contudo, que ele não tinha paixão pela advocacia, vista mais como obrigação familiar.
Revista George: verdade. Kennedy fundou a publicação em 1995 com o sócio Michael Berman, com a proposta de misturar política e estilo de vida. Cargo na Calvin Klein: a série retrata corretamente a ascensão meteórica de Carolyn Bessette na empresa. Ela começou como vendedora em uma loja em Boston e chegou aos cargos de Diretora de Publicidade e Diretora de Produção de Desfiles, refutando críticas que a reduziam a uma “vendedora de luxo”.
Relacionamentos e controvérsias: entre fato e ficção
Namoro com Daryl Hannah: verdade. Kennedy namorou a atriz por cerca de cinco anos antes de se casar com Carolyn. O relacionamento terminou em 1994, pouco antes de ele iniciar romance sério com Bessette. Hannah publicou recentemente um artigo criticando a forma como foi retratada na série, chamando-a de “totalmente imprecisa”. Namorado modelo: também verdadeiro. Carolyn teve um relacionamento longo com Michael Bergin, modelo da Calvin Klein que posteriormente atuou em Baywatch.
Vícios e hábitos: parcialmente verdadeiro. Carolyn era fumante inveterada, um hábito que a série retrata como válvula de escape para o estresse. Biógrafos e o ex-namorado Michael Bergin confirmam o uso recreativo de cocaína, comum no meio da moda nos anos 1990. A produção, no entanto, dramatiza isso como um vício paralisante, enquanto amigos afirmam que o isolamento dela era causado principalmente pelo assédio agressivo dos paparazzi.
Descoberta de Kate Moss: parcialmente verdadeiro. Na vida real, a modelo já era conhecida em Londres e havia aparecido na revista The Face. O que Carolyn fez, junto com o diretor de arte Fabien Baron, foi convencer Calvin Klein a apostar em Moss para a polêmica campanha de 1992, ao lado de Mark Wahlberg.
A produção de Ryan Murphy oferece ao público uma visão complexa do casal mais fotografado dos anos 1990, equilibrando eventos verificados com as inevitáveis licenças narrativas de uma obra de ficção. Para espectadores interessados em distinguir os elementos documentais das dramatizações, a biografia de Elizabeth Beller permanece como fonte primária de referência.
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