Selic pode subir mais com guerra e política, diz economista
A escalada das tensões geopolíticas e a incerteza fiscal interna podem levar o Banco Central (BC) a aumentar ainda mais a taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano. A avaliação foi feita em 06 de abril de 2026 pelo economista Roberto Campos, da consultoria Brasil Investimentos.
O cenário internacional, com a guerra no Leste Europeu, pressiona a inflação global e exige respostas mais duras dos bancos centrais, inclusive no Brasil. A política fiscal do governo, com gastos elevados, também preocupa.
Pressão inflacionária global
A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, provocou forte choque nos preços de commodities como petróleo, gás natural e alimentos. A alta dos combustíveis impacta diretamente o transporte de cargas e passageiros, elevando os custos de produção e distribuição de diversos produtos.
No Brasil, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou para 1,62% em março de 2026, a maior variação para o mês desde 2015, segundo o IBGE. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 11,30%, bem acima do teto da meta do governo, de 5%.
Risco fiscal no Brasil
Além da pressão externa, o Banco Central também precisa lidar com o risco fiscal interno. O governo tem elevado os gastos públicos para tentar estimular a economia, o que pode gerar mais inflação no futuro.
"O aumento dos gastos públicos, sem contrapartida de medidas de ajuste fiscal, pode comprometer a sustentabilidade da dívida pública e gerar desconfiança nos investidores", afirmou Roberto Campos, economista da Brasil Investimentos. "Isso pode levar a uma depreciação do real e a um aumento da inflação."
Impacto para o bolso do consumidor
A alta da Selic tem impacto direto no bolso do consumidor, pois eleva o custo do crédito. Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e compras parceladas no cartão de crédito ficam mais caros, o que pode reduzir o consumo e o crescimento da economia.
Para o empresário do setor de vestuário José Silva, de Piracicaba, o aumento da Selic dificulta a tomada de crédito para investir na expansão dos negócios. "Com juros mais altos, fica mais difícil financiar a compra de máquinas e equipamentos e a contratação de novos funcionários", disse.
Próximos passos do BC
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne novamente em maio para definir a nova taxa Selic. A expectativa do mercado é de que o Copom eleve a Selic em mais 1 ponto percentual, para 11,75% ao ano.
A decisão do Copom dependerá da evolução da inflação e das expectativas do mercado. Se a inflação continuar alta, o BC pode ser obrigado a subir ainda mais a Selic, mesmo correndo o risco de prejudicar o crescimento da economia.
Gostou desta noticia?
Inscreva-se para receber as principais do dia por email

