Brasil agrega valor aos minerais e destrava acordo UE-Mercosul na Alemanha
Lula negocia transferência de tecnologia e comércio de minerais críticos em Hannover
Pontos-chave
- Brasil negocia agregar valor aos minerais e transferência de tecnologia alemã.
- Acordo Mercosul-UE elimina tarifas para 93% dos produtos da UE em até 10 anos.
- Empresas brasileiras ampliam presença na Hannover Messe com 140 expositores.
- Lula reforça parceria Brasil-Alemanha em sustentabilidade e inovação.
- Missão empresarial da CNI busca dobrar comércio bilateral nos próximos cinco anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na Alemanha neste domingo (19) para liderar a participação brasileira na Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, onde o Brasil é o país homenageado. A agenda inclui negociações com o primeiro-ministro Friedrich Merz sobre comércio bilateral, transferência de tecnologia e destravamento do acordo União Europeia-Mercosul, com foco em minerais críticos e energias renováveis.
A Alemanha é o principal parceiro europeu do Brasil, com intercâmbio comercial de US$ 20,9 bilhões em 2025 e estoque de investimentos diretos alemães de US$ 38,5 bilhões em 2024. O Brasil busca ampliar o valor agregado de sua produção mineral e garantir acesso a tecnologias alemãs, especialmente em inteligência artificial e sustentabilidade. Minerais críticos, como terras raras, são prioridade: o país detém a segunda maior reserva mundial, com 21 milhões de toneladas.
A missão empresarial brasileira, liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), levou mais de 260 representantes do setor à feira, ocupando um pavilhão de 2.700 metros quadrados. A ApexBrasil organizou a presença de 140 expositores e 300 empresas, ampliando oportunidades para negócios em energias renováveis, agro e tecnologia. O objetivo, segundo a CNI, é dobrar o comércio bilateral nos próximos cinco anos.
Lula afirmou que o Brasil não pretende repetir o papel de exportador de commodities minerais e defendeu parcerias internacionais com etapas de maior valor agregado e transferência de tecnologia. O presidente também relembrou que, em 1980, quando o Brasil foi homenageado pela primeira vez em Hannover, estava preso por liderar greves no ABC paulista, marcando a importância histórica da relação bilateral.
O acordo União Europeia-Mercosul, assinado em 17 de janeiro de 2026 após décadas de negociação, prevê eliminação de tarifas para 93% dos produtos da UE em até 10 anos e 91% da pauta do Mercosul em até 15 anos. Para o agronegócio, 39% dos produtos exportados à UE terão tarifa zero já no primeiro ano de vigência, abrindo espaço para empresas brasileiras, inclusive do interior paulista, ampliarem exportações.
Minerais críticos e transferência de tecnologia
A Alemanha busca garantir acesso a minerais críticos brasileiros, essenciais para a indústria eletrônica e energética europeia. O Brasil aposta na diversificação de parceiros e na exigência de etapas de processamento local, evitando a exportação apenas de matéria-prima. Empresas brasileiras, inclusive de Piracicaba e região, podem se beneficiar de parcerias com indústrias alemãs, especialmente se atuam em mineração, energia limpa ou tecnologia.
Segundo Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, a presença brasileira na Hannover Messe é uma oportunidade histórica para mostrar o potencial inovador e sustentável da indústria nacional. Gunther Kegel, presidente da Associação da Indústria Eletrônica e Digital da Alemanha, afirmou que o Brasil é um país em ascensão, dedicado à proteção ambiental, e que a COP30 em Belém foi uma escolha acertada, apesar de comentários depreciativos do primeiro-ministro Merz, que geraram desconforto diplomático.
Impactos para empresas e trabalhadores brasileiros
A missão empresarial da CNI e ApexBrasil abre possibilidades para empresas brasileiras ampliarem exportações e receberem investimentos em setores estratégicos. O acordo Mercosul-UE deve facilitar o acesso de produtos agrícolas e industriais ao mercado europeu, com potencial de geração de empregos e aumento de renda. Empresas do interior paulista, especialmente do agronegócio e energia renovável, podem aproveitar as novas condições tarifárias e parcerias tecnológicas para expandir operações.
Há resistência de setores agrícolas europeus ao acordo, temendo competição com produtos sul-americanos. No Brasil, o desafio é garantir que a transferência de tecnologia e agregação de valor se concretizem, evitando a repetição do papel de exportador de commodities. Lula reforçou que a relação com a Alemanha é de Estado, não ideológica, e que o país está aberto a parcerias que tragam inovação e desenvolvimento sustentável.
Além das negociações com Merz, Lula participa de audiência com Martin Schulz, presidente da Fundação Friedrich Ebert, ampliando o diálogo político e econômico. O contexto internacional, marcado pela crise no Irã e volatilidade do mercado de energia, aumenta a importância da cooperação Brasil-Alemanha para garantir segurança energética e diversificação de cadeias produtivas.
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