Preço do etanol nas usinas cai 7% com safra recorde e gasolina cara
Oferta maior pressiona valores do etanol em São Paulo, mas preço nas bombas segue estável
Pontos-chave
- Preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo caiu 7,01% na semana de 13 a 17 de abril de 2026.
- Safra recorde de cana-de-açúcar e queda nos custos de produção pressionam os preços do etanol para baixo.
- Apesar da queda nas usinas, preços do etanol nas bombas permanecem estáveis, limitando benefício ao consumidor.
Os preços do etanol hidratado nas usinas de São Paulo recuaram 7,01% na semana de 13 a 17 de abril de 2026, atingindo R$ 2,5920 por litro, enquanto o etanol anidro caiu 7,43%, para R$ 2,9575 por litro, segundo o CEPEA e a Argus.
A queda está ligada ao início da safra 2026/27 de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil, que projeta uma produção recorde de etanol e aumento gradual da moagem, conforme dados do CEPEA e da Forbes Agro.
Apesar da redução nas cotações nas usinas, os preços do etanol nas bombas em São Paulo permaneceram praticamente estáveis, em torno de R$ 4,52 por litro, enquanto a gasolina manteve-se elevada, com média de R$ 6,98 por litro, conforme a ANP.
A guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro de 2026, elevou os preços internacionais do petróleo, pressionando os derivados fósseis no Brasil e mantendo a gasolina cara, segundo a CNN Brasil e a Agência Brasil.
A mistura obrigatória de 30% de etanol anidro na gasolina brasileira influencia a dinâmica dos preços finais, mas custos logísticos e margens da revenda explicam a defasagem entre os valores nas usinas e nas bombas, segundo análise da Argus.
Oferta recorde e custos menores pressionam preços do etanol
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar está estimada em 635 milhões de toneladas, com expectativa de produção recorde de etanol no centro-sul, conforme dados da Forbes Agro e do CEPEA. Essa maior oferta pressiona os preços para baixo nas usinas, afirmou Maria Lígia Barros, responsável por precificação da Argus.
Além disso, o Pecege aponta que os custos de produção da cana devem cair entre 5% e 7% nesta safra, o que pode aliviar a pressão sobre os produtores diante da queda dos preços nas usinas.
A valorização da gasolina reduziu a paridade nacional do etanol para abaixo de 70% em março, antes mesmo do início da safra, tornando o uso do etanol hidratado mais vantajoso economicamente, segundo análise da Argus.
Defasagem entre preços nas usinas e nas bombas limita benefício ao consumidor
Embora os preços do etanol nas usinas tenham caído mais de 7%, essa redução ainda não foi repassada integralmente ao consumidor final, mantendo os preços nas bombas estáveis, conforme dados da ANP e do CEPEA.
A Argus explica que o preço final ao consumidor reflete custos e margens da revenda, que são estabelecidos pelo livre mercado, o que explica a defasagem entre os preços nas usinas e nas bombas.
Especialistas do CEPEA indicam que, apesar da defasagem atual, a tendência é que os preços nas bombas acompanhem a queda nas usinas, o que pode aquecer as vendas no varejo e beneficiar consumidores e produtores locais.
No entanto, o impacto real para os consumidores, especialmente em regiões com forte presença da indústria sucroalcooleira, ainda depende do repasse efetivo dessa queda e da dinâmica dos custos logísticos e tributários.
Gostou desta noticia?
Inscreva-se para receber as principais do dia por email


