O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta médica na tarde desta quinta-feira, 1º de fevereiro, deixando o Hospital DF Star, localizado na Asa Sul de Brasília. Após um período de internação de oito dias, que incluiu uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral e exames para tratar questões gastrointestinais, o ex-mandatário foi prontamente reconduzido à Superintendência da Polícia Federal na capital federal. Ali, ele cumpre pena desde novembro do ano anterior, após condenação por crimes relacionados à tentativa de subversão democrática. A movimentação de seu comboio, composto por batedores da Polícia Militar do Distrito Federal e veículos descaracterizados, ocorreu por volta das 18h40, sob intenso esquema de segurança, evidenciando a complexidade de sua situação jurídica e a vigilância constante que recai sobre sua figura pública e seu estado de saúde.
A Saída do Hospital e o Retorno à Custódia da PF
O Comboio e a Logística de Segurança
A despedida de Jair Bolsonaro do Hospital DF Star foi marcada por um robusto aparato de segurança. Pouco antes das 19h, um comboio cuidadosamente planejado partiu da garagem do centro médico. Batedores da Polícia Militar do Distrito Federal lideravam a formação, seguidos por uma série de carros pretos descaracterizados, assegurando a discrição e a proteção do ex-presidente. O trajeto, de poucos quilômetros, ligou o hospital, situado na região central de Brasília, à Superintendência da Polícia Federal, o local onde Bolsonaro está detido. A operação transcorreu sem incidentes, refletindo a precisão e o planejamento das forças de segurança envolvidas no transporte de uma figura de alto perfil em custódia. A logística de retorno à Polícia Federal era aguardada, uma vez que a alta hospitalar já havia sido confirmada pela equipe médica responsável.
A Condição Médica no Momento da Alta
A alta de Bolsonaro foi concedida após uma significativa melhora em seu quadro de saúde. Internado desde o último dia 24, o ex-presidente passou por uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Nos dias subsequentes ao procedimento, a equipe médica acompanhou de perto sua recuperação, observando a necessidade de intervir em outras questões que surgiram, como uma crise persistente de soluços. Exames como uma endoscopia foram realizados para investigar a origem dos sintomas, que revelaram a presença de esofagite e gastrite. Na véspera da alta, a equipe médica já havia sinalizado a possibilidade de liberação, atestando a estabilidade clínica e a progressão favorável da recuperação, desde que não houvesse novas intercorrências. O retorno à custódia da PF, portanto, ocorreu com a garantia de que seu estado de saúde permitia tal movimentação e a continuidade do cumprimento da pena.
O Histórico Hospitalar e os Procedimentos Realizados
Detalhes da Cirurgia e Complicações Pós-Operatórias
A internação de Jair Bolsonaro no Hospital DF Star, em 24 de janeiro, teve como objetivo principal a realização de uma cirurgia eletiva para correção de hérnia inguinal bilateral. Este tipo de procedimento é comum e visa reparar uma fraqueza na parede abdominal que permite a protusão de órgãos internos. A intervenção cirúrgica transcorreu conforme o esperado, mas os dias seguintes ao procedimento foram marcados por complicações que exigiram atenção adicional da equipe médica. Entre elas, destacou-se uma persistente crise de soluços, que mobilizou os médicos a investigar suas causas e a buscar soluções para o desconforto do paciente. Este sintoma, embora aparentemente menor, pode indicar problemas gastrointestinais subjacentes, levando à realização de exames complementares para um diagnóstico mais preciso e um plano de tratamento adequado.
Avaliação Médica e Acompanhamento Contínuo
Diante da persistência dos soluços, a equipe médica que acompanhava o ex-presidente optou por realizar uma endoscopia no dia 31 de janeiro. O exame revelou a presença de esofagite e gastrite, condições inflamatórias do esôfago e do estômago, respectivamente, que poderiam estar relacionadas aos sintomas manifestados. Com os diagnósticos confirmados, foi possível iniciar um tratamento específico para essas condições. Os médicos informaram a melhora da crise de soluços e, após uma avaliação detalhada e a constatação da estabilidade do paciente, programaram sua alta para o dia 1º de fevereiro, condicionado à ausência de novos problemas de saúde. A equipe reforçou que, mesmo após a alta hospitalar, o acompanhamento médico de Bolsonaro continuaria, com acesso garantido aos profissionais de saúde de sua confiança, medicamentos necessários e, se preciso, um fisioterapeuta, além da possibilidade de receber alimentação preparada por seus familiares.
Implicações Legais e o Cenário Político
O retorno de Jair Bolsonaro à Superintendência da Polícia Federal em Brasília marca a continuidade de sua situação jurídica, que o mantém sob custódia desde novembro do ano anterior. O ex-presidente foi condenado a uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão por seu envolvimento na trama golpista, um veredito que ressalta a gravidade das acusações e a firmeza da Justiça brasileira. Na manhã da mesma quinta-feira em que recebeu alta, um pedido da defesa de Bolsonaro para prisão domiciliar de natureza humanitária foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão do magistrado, baseada em fundamentos legais, reforçou que a defesa não apresentou “fatos supervenientes que pudessem afastar os motivos determinantes da decisão de indeferimento do pedido de prisão domiciliar humanitária proferida em decisão anterior”, em 19 de dezembro. Moraes reiterou que as condições para o cumprimento da pena na Polícia Federal são adequadas, permitindo o acesso integral dos médicos de Bolsonaro, a administração de medicamentos e a assistência de um fisioterapeuta, bem como a entrega de comida produzida por seus familiares. Esse cenário legal sublinha a importância da condenação e o compromisso das instituições em garantir o cumprimento da lei, mesmo diante de um ex-chefe de Estado, reforçando os pilares da democracia e da justiça no país. A saúde do ex-presidente, embora monitorada de perto, não alterou o curso de sua detenção, com o sistema judiciário assegurando tanto o direito à saúde quanto a execução da pena imposta.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br






