
Engenheiro, economista e empresário, Paulo Estevam Camargo assumiu o Simespi (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e de Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras) no início deste ano de 2026.
Paulo construiu sua carreira atuando no Molas Piracicaba, empresa da indústria metalmecânica associada ao Simespi desde 1995. Suas bases foram construídas com dedicação, esforço e uma gestão alinhada às demandas do setor industrial regional. Ingressou na diretoria a partir de 2008, ocupando diferentes funções até chegar à presidência.
Em entrevista ao PIRANOT, Paulo falou sobre as dificuldades encontradas no setor empresarial e tecnológico, além dos novos direcionamentos e avanços do setor.
Como o senhor recebe a responsabilidade de assumir a presidência do Simespi neste novo mandato?
Eu assumo com bastante responsabilidade. Eu participo do Simespi já há bastante tempo. Faço parte da diretoria desde 2008. Assumi vários cargos aqui, como diretor adjunto, como diretor financeiro, como vice-presidente e agora como presidente da entidade nos próximos três anos, de 2026 a 2028. O sindicato fornece desconto e cursos de capacitação para os associados.
O que muda em relação à administração anterior e o que terá continuidade?
A continuidade do trabalho seguirá presente, com foco no atendimento às associadas, na qualificação profissional e também na capacitação dos empresários. A proposta é promover palestras, incentivar o networking e debater as constantes mudanças do mercado, sejam elas econômicas, políticas, tributárias ou relacionadas ao cenário político atual.
Sempre destacamos que as decisões das autoridades impactam diretamente o setor industrial e refletem na economia como um todo. Por isso, continuaremos atuando nesse sentido, trazendo os empresários para participar ativamente dessas discussões. Além de qualificar os colaboradores, a intenção é envolver os empresários, proporcionando troca de experiências, aproximação entre empresas, fortalecimento do networking e, inclusive, a possibilidade de futuros negócios.
Como novidade, está previsto o aumento da base territorial do Simespi. Há uma demanda crescente de empresas instaladas nas regiões de Charqueada e São Pedro. Atualmente, a base territorial do Simespi é Piracicaba.
Quais são hoje as prioridades deste novo mandato?
Eu destacaria três prioridades principais. Temos a expectativa de desenvolver diversas ações para apoiar as empresas associadas do setor industrial, mas três pontos se sobressaem.
A primeira prioridade é a qualificação profissional. O setor industrial enfrenta uma carência significativa de mão de obra qualificada, tanto em número de trabalhadores quanto em nível de capacitação. Por isso, além de mantermos os treinamentos e cursos oferecidos em nossa sede — especialmente nas áreas administrativa, de gestão e de qualidade —, vamos ampliar e fortalecer parcerias com escolas técnicas.
Já mantemos cooperação com instituições como o Senai, a Fumep e outras, e a intenção é expandir essas parcerias para qualificar também o pessoal do chão de fábrica, diretamente envolvido na produção. Precisamos de profissionais capacitados, comprometidos e preparados para atender às demandas da indústria.
Além disso, pretendemos atuar em conjunto com essas escolas na divulgação, junto às novas gerações, das oportunidades oferecidas pelo setor industrial. O objetivo é mostrar que a indústria proporciona boas condições de trabalho, planos de carreira estruturados e remuneração atrativa, incentivando jovens a ingressarem nesse segmento.
As indústrias têm dificuldade em encontrar mão de obra qualificada?
Sim, há uma grande necessidade. Isso ocorre porque as tecnologias evoluem constantemente: surgem novos equipamentos, novos processos e novos produtos de produção. Cabe ao Simespi orientar as empresas sobre como qualificar a mão de obra e também propor melhorias de produtividade, por meio de automação e digitalização, por exemplo.
Muitos empresários, especialmente de pequenas e médias empresas, ainda têm a percepção de que falar em Indústria 4.0 significa, necessariamente, instalar robôs que substituam totalmente a mão de obra humana. No entanto, não é assim que funciona. Os processos de robotização costumam começar nas grandes empresas e, geralmente, são aplicados inicialmente em atividades de maior risco, como solda e pintura, para depois se expandirem para outras áreas.
Além disso, a digitalização e a automação também fazem parte do conceito de Indústria 4.0 e não exigem, necessariamente, investimentos elevados. Essas soluções permitem mudanças significativas nos processos produtivos e aumentos de produtividade, desde que acompanhadas da capacitação da mão de obra para operar novos equipamentos e tecnologias.
Outro ponto importante é a mudança de mentalidade dentro das empresas. Há, naturalmente, um choque de gerações: profissionais mais jovens têm uma forma diferente de pensar e trabalhar em comparação aos mais experientes. É fundamental conciliar essas diferenças, mostrando aos jovens as possibilidades de crescimento dentro do setor industrial e valorizando a experiência dos trabalhadores mais antigos.
Nesse contexto, cabe ao Simespi, como entidade patronal e representante da indústria, demonstrar que é possível aumentar a produtividade sem a necessidade de grandes investimentos. Muitas vezes, mudanças na cultura organizacional e a adoção de pequenas modernizações já são suficientes para gerar resultados significativos, com custos acessíveis às empresas.

Qual o papel do Simespi na capacitação profissional e na aproximação com escolas técnicas e universidades?
Nós temos parcerias aqui com algumas universidades também, tanto com escolas técnicas como com universidades. Com as escolas técnicas, são essas parcerias de incentivo, de divulgação de vagas; o Simespi ajuda. Temos financeiros, faz parceria com as escolas, alguns cursos são bancados pelo Simespi, parceria também com as escolas, divulgação e chamamento.
Com as universidades, o Simespi tem convênios, onde funcionários das empresas associadas, caso queiram entrar em um curso de graduação ou pós-graduação, existem descontos especiais para esses alunos. E também, no sentido de divulgação para as empresas, a necessidade de divulgação.
Caso a empresa tenha necessidade de formar um engenheiro, formar um psicólogo, uma psicóloga ou uma administradora, uma contadora, no sentido de incentivar essas pessoas, esses funcionários, colaboradores, a se capacitarem. E também vamos fazer um programa de aproximação empresa-universidade; estamos com esse planejamento, já estamos em conversa com algumas universidades aqui, com as públicas e com as privadas, no sentido de aumentar ainda mais esse convênio, essa parceria, para divulgar.
Um funcionário de uma empresa associada ao Simespi, o desconto varia de 10%, 15%, 20%, desconto na matrícula, desconto na mensalidade e também o incentivo. É importante também a gente pensar em qualificação, em formação, não só para o trabalho na empresa, mas também na formação pessoal do próprio colaborador.
Quais os maiores desafios encontrados pelas indústrias associadas?
Veja, eu diria que é um conjunto de desafios, não é apenas… não são poucos, não. Tem alguns desafios mais antigos, que é a questão da carga tributária que temos no Brasil. Carga tributária que realmente é pesada; o setor industrial, a maioria das empresas paga um terço do faturamento em tributos federais, estaduais e municipais. Então, esse é um grande desafio. Além disso, outro desafio antigo também que temos aqui no Brasil é a questão da burocracia existente em toda a parte fiscal, trabalhista, mudança de lei a todo momento. Então, isso também dificulta bastante o planejamento das empresas. Então, esses dois aí. Questão logística também, ainda que aqui na nossa região, no estado de São Paulo, temos rodovias que são boas, comparadas com outros estados.
É possível avançar em acordos que garantam competitividade às empresas sem perder direitos dos trabalhadores?
Veja, isso é possível, sim — tanto que já fazemos. Temos uma convenção coletiva firmada com o sindicato dos trabalhadores, que é bastante equilibrada no relacionamento entre as empresas e os empregados. Posso destacar diversos incentivos previstos nessa convenção, que são seguidos pelas empresas, com o Simespi sempre atuando na orientação, conduzindo as negociações e apresentando as propostas em assembleia para que os associados decidam se aceitam ou não a pauta apresentada.
Vale ressaltar que, quando se trata de convenção coletiva, a decisão final sempre passa pelos associados: nenhuma deliberação dentro do Simespi é tomada sem a aprovação deles.

A inovação tecnológica é uma prioridade para as indústrias da região?
Olha, eu entendo a inovação tecnológica da seguinte forma: ela envolve tanto máquinas e equipamentos quanto as pessoas que os operam. As duas frentes precisam caminhar juntas. Um dos principais motivos para incentivar a formação e a qualificação profissional vem justamente dessa demanda das empresas por trabalhadores capacitados para operar novos equipamentos.
Isso anda lado a lado. As empresas e as indústrias, de maneira geral, precisam inovar para sobreviver, crescer, garantir sustentabilidade ao longo do tempo e se manterem perenes. Mas inovar não significa apenas investir em máquinas; envolve também a formação das pessoas.
Tudo isso deve ser feito com respeito, educação, orientação e diálogo constante. É preciso conversar sempre, no sentido de buscar consenso. Esse é o meu ponto de vista e é assim que atuamos no Simespi: por meio da negociação, sentando à mesa, dialogando e tentando chegar a um acordo que seja bom para ambos os lados.
A agenda de sustentabilidade já faz parte da realidade das indústrias associadas?
Sim. Nós oferecemos atendimento às empresas associadas voltado à pauta ESG. Contamos com uma empresa de consultoria que presta serviços ao Simespi e, por consequência, atende as associadas de forma gratuita. O Simespi é quem arca com os custos dessa consultoria, que disponibiliza um número determinado de horas mensais para atender as empresas associadas. Cabe à empresa aderir e assumir esse processo.
Dentro do conceito de sustentabilidade — ou ESG, que já é uma realidade consolidada —, as empresas precisam pensar em um conjunto de ações para que seus produtos e operações sejam sustentáveis. Isso envolve a dimensão social, com atenção às pessoas e à comunidade do entorno; a dimensão ambiental, como o tratamento adequado de resíduos, separação de materiais recicláveis e orgânicos, economia de energia, uso consciente da água e até a mudança de fontes energéticas; e, por fim, a governança, que inclui ética, transparência, conformidade tributária e fiscal, além do respeito nas relações internas e externas.
Tudo isso já existe e é uma das nossas prioridades. Não dá mais para tratar o ESG como algo do futuro — ele é o presente. Além da competitividade de mercado, muitas empresas, especialmente as de grande porte, já exigem esse tipo de postura de seus fornecedores.
Na nossa base territorial, a maioria das empresas é de pequeno e médio porte. Por isso, nosso papel é orientar, chamar o empresário e mostrar a necessidade de adaptação a essa nova realidade, tanto na sustentabilidade quanto na questão ambiental. Temos profissionais especializados que auxiliam nesse processo, abordando temas como reciclagem, eficiência energética, uso racional da água e boas práticas de gestão.
Seguiremos incentivando e apoiando as empresas para que se adequem cada vez mais a esse novo cenário, que já faz parte do dia a dia do mercado.
Como é a relação do Simespi com a Prefeitura, o Governo do Estado e outras entidades?
Aqui na nossa região, mantemos diversas parcerias com outras entidades. Podemos destacar, por exemplo, a parceria com a Acipi, com quem realizamos a Caminhada do Bem uma vez por ano, geralmente no mês de agosto. O “ingresso”, por assim dizer, para participar da corrida é a doação de um quilo de alimento. O evento é organizado pelo Simespi, pela Acipi e pela Prefeitura, e todos os alimentos arrecadados são destinados ao Fundo Social de Solidariedade. Essa é uma das parcerias que também mantemos com a Acipi.
Temos ainda parcerias com escolas técnicas, como já mencionei, além da parceria com a Unimed e, novamente, com a Acipi. Um exemplo é o evento voltado às crianças, realizado no Engenho Central, com apoio da Prefeitura, que cede o espaço. Nesse evento, todos os brindes, a alimentação e as atividades são totalmente gratuitas para as crianças e suas famílias. No ano passado, tive a oportunidade de participar e foi realmente muito emocionante. O evento reuniu mais de três mil pessoas, com brinquedos, sorvetes, lanches, doces, brincadeiras, brindes, presença de super-heróis para fotos, entre outras atrações. Os custos são divididos entre o Simespi e a Unimed, enquanto a Prefeitura contribui com a cessão do local — um dos pontos turísticos mais conhecidos e valorizados da cidade, especialmente por quem aprecia a região do rio e da Rua do Porto.
Com relação ao governo estadual, mantemos bastante contato com o Governo do Estado por meio do deputado estadual Alex Madureira, que nos auxilia, além de diálogo direto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Inclusive, na próxima semana, receberemos dois assessores do secretário de Desenvolvimento Econômico aqui na entidade.
Essas parcerias envolvem tanto ações voltadas ao desenvolvimento regional — como a continuidade do anel viário, ligando Rio Claro a Charqueada — quanto demandas por novos distritos industriais, a exemplo do que foi realizado na área da Hyundai, no Parque Automotivo. Há uma grande procura de outras empresas por áreas na região, e por isso estamos em contato constante com o governo estadual.
Quando surgem demandas na área ambiental, também dialogamos com os órgãos estaduais competentes, buscando a melhor solução possível, apresentando sugestões e levando um parecer que represente a realidade da nossa região.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, já esteve aqui anteriormente. No ano passado, realizamos alguns eventos em conjunto com empresas e outras entidades, contando com sua presença. Agora, estamos alinhando uma nova agenda para receber duas assessoras na próxima semana, com o objetivo de definir as ações e projetos para este ano. Acreditamos que desse diálogo poderão surgir iniciativas importantes.
Em relação ao governo federal, também mantemos contato, com o apoio da deputada estadual professora Bebel, que contribui abrindo portas e viabilizando agendas em Brasília. Um exemplo disso ocorreu no ano passado, quando uma comitiva do Simespi esteve em Brasília em reunião com o vice-presidente da República, que também ocupa o cargo de ministro.
Que mensagem o senhor deixa aos empresários do setor industrial de Piracicaba e região?
Contem com o Simespi para tudo o que for necessário, seja em treinamentos, qualificação profissional ou no esclarecimento de dúvidas em qualquer área do setor industrial. As empresas associadas podem contar com apoio nas áreas tributária, jurídica, ambiental, de recursos humanos e em tudo o que o empresário e seus colaboradores precisarem. O Simespi está à disposição para contribuir com o conhecimento e a boa formação, ajudando as empresas a crescerem, gerarem mais empregos e aumentarem a renda.
Todo esse processo impulsiona o desenvolvimento econômico e melhora a qualidade de vida da população como um todo. Nosso olhar vai além do setor industrial: pensamos na cidade e na região de forma ampla, considerando todos os trabalhadores. A indústria, vale destacar, oferece salários mais altos e mais benefícios em comparação a outros setores, o que fortalece o consumo no comércio e nos serviços, além de ampliar a arrecadação municipal e estadual por meio dos tributos recolhidos pelas empresas.
Esse é o papel do Simespi: apoiar as empresas com o suporte de que necessitam e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento econômico e social da cidade e da região. É para isso que o Simespi existe.
Atualmente, eu e mais 18 diretores e diretoras atuamos de forma voluntária, totalmente comprometidos com esse propósito. Embora eu esteja à frente como presidente, todo o trabalho é construído de forma conjunta, com uma diretoria engajada e participativa, para que o Simespi continue crescendo e atendendo às expectativas dos empresários, das empresas e dos colaboradores.







