Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) reforçou a ligação direta entre inflamação intestinal ativa e prejuízos à saúde mental. A pesquisa aponta que pacientes com Doença de Crohn em fase inflamatória apresentam risco significativamente maior de distúrbios do sono, ansiedade e depressão, evidenciando o papel do eixo intestino-cérebro no impacto emocional dessas doenças crônicas.
De acordo com os pesquisadores, vias imune-inflamatórias permitem que substâncias liberadas no intestino influenciem diretamente o funcionamento do cérebro, afetando o humor, o sono e a estabilidade emocional. O estudo analisou pacientes com Crohn e identificou que aqueles com inflamação ativa tinham quase três vezes mais chances de relatar sono de baixa qualidade e sintomas depressivos.
A atividade inflamatória foi medida por meio da calprotectina fecal, enquanto a qualidade do sono e a saúde mental foram avaliadas com questionários padronizados e acelerômetros usados no pulso. Entre os participantes com inflamação ativa, 69% relataram sono não reparador e 71% classificaram a qualidade do descanso como ruim. Problemas de ansiedade e depressão também foram mais frequentes nesse grupo.
Os pesquisadores observaram ainda que pacientes em fases iniciais da doença, com perfil inflamatório, sofriam mais alterações no sono do que aqueles com formas mais avançadas, possivelmente por maior adaptação emocional ao longo do tempo. O trabalho foi premiado na Semana Brasileira das Doenças Inflamatórias Intestinais, maior evento do setor na América Latina.
Para especialistas da FMUSP, os resultados reforçam a necessidade de um tratamento integrado da Doença de Crohn, que vá além do controle gastrointestinal e inclua avaliação psicológica, atenção ao sono e suporte multidisciplinar. O estudo confirma que as Doenças Inflamatórias Intestinais têm impacto sistêmico e que cuidar da saúde mental é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.






