Diaristas de luxo elevam ganhos e reinventam a profissão
Profissionais da limpeza estão investindo em técnicas e marketing para aumentar a renda e conquistar autonomia. Cláudia Rodrigues e Gabriela Valente são exemplos de quem transformou a faxina em negócio lucrativo.
Cláudia Rodrigues, que antes ganhava R$ 80 por dia, hoje fatura mais de R$ 8 mil mensais com a faxina premium. Ela e outras profissionais investem em conhecimento técnico e novas estratégias para atender clientes de alto padrão.
A transformação da faxina
A virada de Cláudia aconteceu ao descobrir, no Instagram, novas abordagens para a limpeza. A "faxina premium" foca em qualidade e personalização, não apenas em rapidez e preço baixo. Profissionais estudam tipos de piso, produtos químicos e criam cronogramas de organização.
Segundo o IBGE, o rendimento médio dos trabalhadores domésticos foi de R$ 1.367 em 2025. Diaristas premium podem faturar até seis vezes mais, atendendo um público que valoriza um serviço diferenciado.
A imagem profissional também é crucial. Cláudia investiu em fotos, uniforme e se formalizou como MEI (Microempreendedora Individual). "Existia muito preconceito", lembra, sobre a reação inicial ao divulgar seu trabalho nas redes sociais.
Estratégias e desafios
Gabriela Valente, que também é diarista premium, cobra R$ 600 por quatro horas ou R$ 1.000 por oito horas. Ela compartilha seu conhecimento em cursos e criou seu próprio produto de limpeza. "Passei fome. Vendi roupa para comer. Hoje, tudo mudou", relata Gabriela.
Gabriela detalha a importância da técnica para evitar prejuízos em casas de alto padrão. "Todo mundo sabe limpar, mas usa sabão em pó, detergente neutro ou misturinhas da internet. Quando você aprende o produto certo e o equipamento certo, tudo muda", afirma.
Sindicatos e consultores alertam que a transição para a faxina premium exige planejamento. Diaristas autônomas não têm FGTS, férias ou 13º salário. Glauco Nunes, coordenador de Mercado do Sebrae Rio, explica: “Está cada vez mais custoso ter um trabalhador doméstico formalizado. Além disso, os próprios profissionais perceberam que o trabalho como diarista é mais lucrativo".
Janaina Souza, presidente do Sindoméstica, destaca a falta de direitos trabalhistas para diaristas. "Muitas diaristas realmente ganham mais como autônomas, mas abrem mão de garantias importantes", afirma.
Reinvenção internacional
Mônica Oliveira, ex-cabeleireira e manicure, encontrou na Holanda um mercado valorizado para a limpeza. Ela atende casas e hotéis de luxo em Amsterdã, cobrando a partir de 87 euros (cerca de R$ 550) por uma limpeza básica.
Mônica observa cada detalhe, desde a disposição dos objetos até a fragrância do ambiente. "O foco deixou de ser o tempo e passou a ser a experiência entregue", explica.
Perguntas frequentes
Qual o rendimento médio de um trabalhador doméstico no Brasil?
Segundo o IBGE, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores domésticos foi de R$ 1.367 em 2025.
Quais os riscos de ser diarista autônoma?
Diaristas autônomas não têm FGTS, férias remuneradas, 13º salário ou aviso prévio. A contribuição ao INSS precisa ser feita por conta própria para garantir amparo em caso de acidente, licença ou doença.
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