Justiça do Trabalho nega pedido da Unimep para suspender greve
EDUCAçãO
18 de agosto de 2017 · 9 min de leitura

Justiça do Trabalho nega pedido da Unimep para suspender greve

.

Foto: Marcus Vinícius da Costa / PIRANOT
Publicidade 728×90
Foto: Marcus Vinícius da Costa / PIRANOT

O dia foi agitado ontem (17), no que se refere a greve de funcionários e docentes da Unimep. Após um protesto pelas ruas de Piracicaba e de uma audiência pública, funcionários receberam uma boa notícia: a justiça negou o pedido do IEP (Instituto Educacional Piracicabano), que tentou forçar o fim do movimento.

Conforme informou anteontem (15) o PIRANOT, o instituto entrou com uma ação na Justiça do Trabalho alegando falta de acordo e que os grevistas não estariam cumprindo com a lei, mantendo pelo menos 30% do serviço, o qual seus advogados acharam essencial para a sociedade.

O IEP solicitou ainda para a justiça uma liminar que obrigasse os seus funcionários e docentes a voltar ao trabalho por não terem cumprido um prazo de 72 horas de aviso de greve.

O desembargador Edmundo Fraga Lopes negou os pedidos dizendo que não considera essencial o serviço prestado pela Unimep e determinou a realização de uma audiência de consciliação para a próxima terça-feira (22), às 10h30.

Foto: Câmara de Piracicaba

MANIFESTAÇÃO – Com guarda-chuvas, capas protetoras, carros de som, palavras de ordem e cartazes que reivindicavam a autonomia universitária da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), uma passeata organizada por docentes e alunos da instituição de ensino superior e do Colégio Piracicabano teve como ponto final a Câmara, na tarde desta quinta-feira.

O protesto teve como alvo a Rede Metodista de Educação, mantenedora dos dois estabelecimentos, e foi impulsionado pelas palavras de ordem “A nossa luta é todo dia; educação não é mercadoria!”, “Fora, Rede” e “Unificou estudante, funcionário e professor”. Mais de 200 pessoas participaram do ato.

Os manifestantes saíram da frente do Colégio Piracicabano, na rua Rangel Pestana, e seguiram pelas ruas Governador Pedro de Toledo e XV de Novembro até a Alferes José Caetano, onde ocorreu, às 14h, a reunião pública para debater a crise que a Unimep e o Colégio enfrentam por conta da relação com a Rede Metodista.

Eles reclamam que as ações da mantenedora e a perda da autonomia da universidade afetaram as práticas administrativas, acadêmicas e financeiras. As consequências atingem tanto professores e funcionários ––que sofrem com atraso no pagamento de salários e férias, falhas no recolhimento do FGTS e a não disponibilização do holerite até o quinto dia útil do mês (como previsto pela Convenção Coletiva de Trabalho)–– quanto alunos, que não conseguem efetuar matrícula, receber boletos de mensalidade, emitir históricos escolares ou regularizar contratos de estágio devido à implantação do novo sistema de dados pela Rede Metodista.

Ana Lúcia, bibliotecária do Colégio Piracicabano, conta que os funcionários da escola enfrentam as mesmas dificuldades que os da Unimep, com exceção do sistema implantado na universidade.

A professora Regina Rivero comenta que o Colégio lida com “quase os mesmos problemas da Unimep”. “A gente não tem autonomia, não existe diálogo. A única diferença é que nosso sistema de computação está funcionando”, afirma.

Alunos do Colégio que manifestaram apoio ao protesto e à greve dos professores iniciada no último dia 8 acrescentam que, para os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, “está bem difícil”. “No começo do ano, disseram que podíamos fazer a matrícula até um dia antes do início das aulas e, quando a galera foi fazer dez dias antes, falaram que não aceitavam mais alunos. Deram a justificativa de que não havia mais alunos para entrar, mas havia alunos para entrar e não tinha vaga. A gente pedia resposta para a diretora da Rede e ela dizia que ia dar, mas nunca dava.”

O grupo cita também que turmas foram juntadas sem que professores e alunos fossem avisados. “Soubemos uma semana antes e professores que deixaram de aceitar outras oportunidades, em outras escolas, foram prejudicados, porque aqueles que teriam quatro aulas terão menos.” Os estudantes afirmam que o problema persiste desde o início do ano.

AUDIÊNCIA PÚBLICA – Em um ato à altura da história de 53 anos da Unimep, cerca de 300 pessoas foram à Câmara, após a manifestação, mostrar apoio à greve e manifestar repúdio à Rede Metodista de Educação, grupo mantenedor da escola de ensino superior e do Colégio Piracicabano.

A reunião pública, no salão nobre na Câmara, foi convocada pelo presidente Matheus Erler (PTB) e pelos parlamentares que compõem a Comissão de Educação, Esportes, Cultura, Ciência e Tecnologia: o presidente Maestro Jonson (PSDB), o relator Paulo Campos (PSD) e o membro Paulo Henrique Paranhos Ribeiro (PRB).

Tanto o salão nobre quanto o hall externo foram ocupados por apoiadores do movimento. A reunião pública foi antecedida por um protesto, em frente à Câmara, realizado por dezenas de manifestantes que partiram em passeata desde o Colégio Piracicabano, com carros de som, palavras de ordem e faixas com os dizeres “Fora, Rede”, “Autonomia universitária”, “A Unimep é de Piracicaba” e “Não é salário, é autonomia”.

Vereadores, professores, funcionários e alunos de ambas as instituições e representantes de entidades de classe, associações e sindicatos uniram-se para cobrar a abertura de diálogo com a Rede Metodista e solidarizar-se com o professor Márcio de Moraes, que, no último dia 11, foi destituído do cargo de reitor da Unimep pela direção do grupo.

Convidada pela Câmara a participar da reunião pública, a Rede Metodista não enviou nenhum representante, o que gerou vaias do público. O diretor-geral do grupo, Robson Ramos de Aguiar, foi duramente criticado.

Além de restringir o diálogo com professores e funcionários da Unimep e pagar-lhes com atraso salários e férias, a Rede Metodista é alvo de reclamações pela implantação de um novo sistema interno de gerenciamento de dados da universidade.

Desde a mudança, alunos não estão conseguindo efetuar matrícula (o que impede a compra de passes escolares e o registro em estágio obrigatório), receber boletos de mensalidade (causando a perda de descontos), emitir históricos escolares e aderir a seguros de vida para estagiários. Já os professores não estão tendo acesso a informações relativas ao Fies e ao Prouni, às suas turmas de alunos e ao registro de ponto e de frequência às aulas.

Em quase duas horas e meia, o ato na Câmara abriu espaço para a fala de 18 autoridades e do público presente. Pela Unimep, discursaram o reitor destituído Márcio de Moraes, o presidente do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, Carlos Virgilio Borges, o presidente da Adunimep (Associação dos Docentes da Unimep), Milton Schubert, o presidente da Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicabano, David Wesley Marques, o diretor da Faculdade de Direito da Unimep, Jarbas Martins Barbosa de Barros, e a representante dos alunos Nathália Navarro.

A reunião pública definiu ações em defesa da Unimep. Erler informou que a Câmara vai apresentar moção em favor da recondução do professor Márcio de Moraes ao cargo de reitor da universidade e propôs a criação de um fórum em defesa da instituição. “Trabalharemos de forma conjunta com alunos e professores para que a Unimep saia deste momento difícil”, afirmou o vereador.

Diretora do Departamento Administrativo-Financeiro da Câmara e aluna do 10º semestre do curso de Direito na Unimep, Kátia Garcia Mesquita propôs a elaboração de um abaixo-assinado em apoio à volta do reitor Márcio de Moraes. (Para aderir à petição on-line, basta clicar aqui e preencher os campos obrigatórios.)

Os presidente do Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), Wagner da Silveira, e do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, José Antonio Fernandes Paiva, ofereceram apoio logístico para o movimento grevista se deslocar a São Paulo para pressionar a Rede Metodista a abrir diálogo. “Quando falamos que estamos juntos, é porque mexeu com vocês, mexeu com a gente”, disse Paiva, sob aplausos.

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Piracicaba, Jefferson Goularte, disse que a entidade foi procurada por professores do curso de Direito da Unimep com a proposta de que seja criada uma comissão para acompanhar o caso.

Já o secretário municipal de Trabalho e Renda, Evandro Evangelista, colocou “a Prefeitura como um todo à disposição” dos manifestantes. Ele disse que o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, José Luiz Ribeiro, também é solidário à greve.

Além de Erler, Maestro Jonson, Paulo Henrique e Paulo Campos, estiveram presentes na reunião pública os vereadores André Bandeira (PSDB), Gilmar Rotta (PSDB), Nancy Thame (PSDB), Osvaldo Schiavolin, o Tozão (PSDB), e Pedro Kawai (PSDB).

Também compareçam ao ato o coordenador do curso de Direto da Unimep, José Renato Martins, o presidente da Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba), João Manoel dos Santos, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Piracicaba, Fânio Luis Gomes.

MAIS APOIO – O Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba (Conespi) decidiu ontem apoiar a greve de professores, funcionários e alunos da Unimep em encontro da executiva com diretores da Associação dos Funcionários do Instituto Piracicabano e Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar de Piracicaba.

O encontro, como explica Juca dos Metalúrgicos, foi a pedido dos diretores e em função da grandiosidade da Unimep e pelo fato de sindicatos filiados ao Conespi terem convênios com a Universidade que garantem descontos aos trabalhadores associados. “A Unimep está sendo encampada”, disseram os dirigentes sindicais da universidade.

No encontro, eles relataram os fatos que levaram à deflagração do movimento, por falta de negociação com professores e funcionários de um acordo de benefícios desde 2014, além da convenção coletiva das categorias, e que foi ampliado com a demissão do reitor Márcio de Moraes.

O Conespi decidiu apoiar o movimento e encaminhar documento ao diretor-geral do instituto, Robson Ramos de Aguiar, para que as negociações sejam reabertas, com funcionários, professores e alunos da Universidade, que tem história com Piracicaba.

 

Publicidade 728×90

Leia Também