Reprise de ‘Malhação’ supera anteriores em audiência

“Malhação – Viva a Diferença” (2017) também elevou a audiência da Globo e melhorou seu desempenho entre jovens e homens

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Apesar da apreensão inicial, a decisão dos canais de TV em recorrer às reprises durante a pandemia do novo coronavírus parece ter dado certo. Além de “Fina Estampa” (2011-2012), “Malhação – Viva a Diferença” (2017) também elevou a audiência da Globo e melhorou seu desempenho entre jovens e homens.

Uma foto da "Malhação - Viva a Diferença" (2017)
Foto: TV Globo.

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A reprise, que chega nesta segunda-feira (24) em seu 100º episódio, registrou até agora média de 20 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão), do Ibope -cada ponto equivale a 254 mil domicílios. O número é inferior ao da primeira exibição (22 pontos), mas supera a média das duas temporadas anteriores. Segundo a emissora, “Malhação – Toda Forma de Amar” (2019-2020) terminou com média de 18 pontos no PNT, mesmo índice de “Malhação – Vidas Brasileiras” (2018-2019), que foi exibida anteriormente.

Além disso, a reprise atual conseguiu a façanha de elevar a audiência do canal entre jovens e homens. O momento atípico, de pandemia e isolamento social, pode ter contribuído, mas, em números, a faixa de “Malhação” cresceu 21% entre homens, 26% entre crianças e 27% entre adolescentes, nos sete primeiros meses de 2020, segunda dados do PNT.

Para o ator Mouhamed Harfouch, 42, que deu vida ao professor Bóris, o sucesso da trama é resultado dos temas abordados e da forma como isso foi feito: “Isso é a coragem de a Globo e de Cao [Hamburger, autor] de não fugir de assuntos espinhosos e encarar que o jovem tem plena condição de debater, questionar, se posicionar.”

“Essa é uma ‘Malhação’ moderna, atual e que propicia um diálogo saudável entre pais e filhos. Ela se conecta com o público jovem e consegue tratar temas complexos, como liberdade, valores morais, tolerância, direitos iguais, ética, cidadania, de uma forma que não afaste o jovem, muito pelo contrário.”

Ana Flávia Cavalcanti, 38, que interpreta a diretora Dóris, destaca os mesmo pontos, mas acrescenta mais um para explicar o sucesso da trama. “Para mim, o diferencial foi a mudança muito sagaz de trocar a história de um amor românico, com um casal geralmente heteronormativo, para a relação de cinco amigas.”

“[“Malhação”] Mostrou aos jovens que existem outras coisas além do amor romântico. Tem você em relação ao mundo, às diferenças. E o fato de serem amigas tão diferentes, em raça, classe social. A escola pública versos a privada. Esses mundos se encontrando foi um acerto. Não alcançou não só os jovens, mas as famílias.”

“Malhação – Viva a Diferença” já havia ganhado destaque em sua primeira exibição. Conquistou o prêmio Emmy International Kids 2018 e ganhará uma série mostrando a vida das amigas Ellen (Heslaine Vieira), Lica (Manoela Aliperti), Tina (Ana Hikari), Benê (Daphne Bozaski) e Keyla (Gabriela Medvedovski) seis anos depois -“As Five”, que vai estrear no dia 12 de novembro no Globoplay.

Bóris, Dóris e a Educação

Entre os vários temas abordados em “Malhação – Viva a Diferença”, a educação é o mais frequente e também a mais elogiada pelos atores Mouhamed Harfouch e Ana Flávia Cavalcanti, que vivem os educadores Bóris e Dóris na trama. “Uma ‘Malhação’ icônica sob todos os aspectos, porque joga luz no sistema educação”, afirma o ator.

“O maior prazer para mim quanto artista é poder contar uma boa história. Não importa o horário, o veículo, mas a história. E quado chegou o convite, fiquei surpreso e feliz por ser um educador. É necessário falar desse agente transformador da sociedade que é o professor e a educação”, diz Harfouch.

Ana Flávia recorda ainda que tiveram outros assuntos importantes abordados e que continuam relevantes, como o comemorado beijo lésbico entre Lica e Samantha (Giovanna Grigio) e o abuso sofrido por K1 (Talita Younan) pelo padrasto. “A gente tem que falar disso, agora tem no noticiário uma menina de 10 anos estuprada.”

Apesar da importância e do carinho que têm por “Malhação”, tanto Mouhamed quanto Ana Flávia afirmam que não conseguem acompanhar a reprise como gostariam. Ele por causa dos filhos, que “pegam fogo” nesse horário, e ela por que está passando a quarentena em um local isolado em Minas Gerais, que não tem TV.

O pouco que ela acompanha é pelas redes sociais, e afirma que não é muito crítica ao seu trabalho quando o vê depois. “Óbvio que eu falo ‘hum, poderia ser diferente’, mas foi o que deu para ser, fui com tudo na maioria das vezes. A TV é muito rápida, então às vezes, no caminho para casa, você fala ‘nossa, agora entendi'”, brinca.

Quarentena produtiva

Após trabalharem juntos e até formarem um casal em “Malhação – Viva a Diferença”, Mouhamed Harfouch e Ana Flávia Cavalcanti estavam novamente na mesma trama, antes da pandemia. Ambos estavam em “Amor de Mãe”, ela como a delegada Miriam, ele como Daniel, ex de Miranda (Debora Lamm), que é casada com o infiel Matias (Milhem Cortaz).

Com a suspensão das gravações, no entanto, os dois acabaram desenvolvendo projetos alternativos. Mouhamed afirma ter passado por momentos difíceis no início da pandemia, se sentindo paralisado, quase depressivo, mas que foi salvo pela arte e pela peça “Homem de Lata”, que decidiu fazer de sua casa mesmo.

“Fiquei mal, mas falei ‘preciso reagir’. Foi quando decidi fazer um espetáculo online. Eu atuo, opero câmera, luz e som. Ou seja, isso me tomou tempo e abriu um sol na minha casa. Parei de ficar paralisado e fui para achar um meio em que pudesse levar informação, cultura e ajudar”, afirma ele, que está doando parte da renda.

Segundo ele, a produção, que está sendo feita em sua casa, com transmissão direta do quarto dos filhos, pelo aplicativo Zoom. “Tenho vivido uma experiência linda, descobrindo, levando teatro a quem não pode ir, e dentro de casa, num momento de paralisação da cultura”, afirma ele.

Já Ana Flávia, optou por um filme. Ela aproveitou o isolamento com um grupo de amigos para desenvolver o projeto do longa “Bocaina”, que deverá lançar em breve. Entre as mãos que participaram do projeto estão as da atriz Malu Galli, 48, também parte do elenco de “Amor de Mãe”.

“É um filme bem democrático, cada um tem 10% da produção. E ele conta uma história uma força. É uma reposta, não só ao governo, que já estava nos desamparando mesmo antes da quarentena, mas também uma resposta nossa a tudo isso. Estamos vivos e vamos continuar”, afirma ela.

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