
Em depoimento tenso à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti optou por permanecer em silêncio após responder às perguntas iniciais do relator, deputado Alfredo Gaspar. A decisão foi comunicada por seu advogado, Thiago Machado, surpreendendo os membros da comissão.
Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Willians, figura entre os investigados na Operação Sem Desconto, uma ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) que apura um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
O empresário compareceu à CPMI amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que lhe garante o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo.
No início de seu depoimento, Cavalcanti negou as acusações de envolvimento no esquema, rejeitando a alegação de ser um “laranja” ou beneficiário. Ele também afirmou desconhecer quaisquer atividades ilícitas praticadas por Nelson Willians e Maurício Camisotti, apontados como operadores do esquema de corrupção.
A Polícia Federal apreendeu diversos veículos de luxo pertencentes a Cavalcanti, incluindo uma Ferrari avaliada em R$ 4,5 milhões, uma réplica de carro de Fórmula 1 e diversas motos. Os bens foram apreendidos em um shopping de Brasília onde haviam sido levados um dia antes da deflagração da Operação Sem Desconto. Além dos carros, relógios de luxo e uma adega com vinhos avaliados em mais de R$ 7 milhões também foram confiscados na residência do empresário.
O relator questionou a evolução patrimonial de Cavalcanti, que antes de se juntar ao escritório de Nelson Willians trabalhava como assessor parlamentar em São Paulo, com um salário de pouco mais de R$ 5 mil. Cavalcanti admitiu que seu patrimônio era inferior a R$ 100 mil em 2017, mas se recusou a revelar o valor atual.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, declarou que o depoimento reforça a suspeita de que Cavalcanti estaria usando o espaço da comissão para construir sua defesa. Viana o classificou como parte de uma máfia que corrompeu servidores e invadiu a receita, com contatos políticos e acesso ao Senado e à Câmara.
A CPMI aguarda uma resposta do STF sobre a solicitação para ouvir o depoimento de Maurício Camisotti, considerado peça fundamental para o entendimento do esquema. Uma das associações sob investigação é a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC), supostamente controlada por “laranjas” ligados a Camisotti, cujas contribuições saltaram de R$ 135 mil em 2021 para R$ 91 milhões em 2023.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br






