O tradicional tacacá, prato indispensável nas cidades amazônicas, preparado com ingredientes da mandioca, camarão seco e jambu, e o ofício de suas criadoras — as tacacazeiras — foram reconhecidos como patrimônio cultural do país pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A iguaria, de origem indígena, tem suas receitas transmitidas de geração em geração, guardando segredos familiares sobre o equilíbrio entre a goma e o tucupi, temperados com ervas e especiarias.
Com o registro, o Iphan deverá elaborar um plano de salvaguarda para o bem cultural, com ações de divulgação gastronômica, gestão de negócios, acesso a matérias-primas e melhorias nos pontos de venda.
Tia Naza, de Manaus, que aprendeu a receita com sua avó e mãe, vende tacacá há 15 anos como principal fonte de renda. Para ela, ser tacacazeira é motivo de orgulho pelos ingredientes únicos da culinária amazônica.
Ao longo dos anos, o tacacá ganhou variações, sendo servido com caranguejo, pipoca e até versões veganas. A popularidade do prato ultrapassou as tradicionais barracas de rua e chegou aos aplicativos de entrega.
Para o reconhecimento do ofício, o Iphan realizou um projeto de pesquisa e documentação em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), abrangendo sete estados e registrando os saberes envolvidos no preparo e na comercialização do tacacá. O dossiê que fundamentou a decisão destacou que as tacacazeiras são detentoras de conhecimentos e segredos, responsáveis por dar continuidade aos modos de fazer e às formas de sociabilidade, transmitindo um saber exclusivo.
A comercialização do tacacá foi registrada ainda no fim do século 19, impulsionada pela expansão urbana na Amazônia e pela necessidade de sustento, quando mulheres passaram a vender alimentos nas ruas.






