A rota aérea entre Mendoza, na Argentina, e Santiago, no Chile, foi apontada como a mais turbulenta do mundo pelo segundo ano consecutivo. O trajeto cruza a Cordilheira dos Andes, uma das regiões montanhosas mais elevadas do planeta, onde a interação entre o relevo e as correntes de vento cria condições frequentes de turbulência atmosférica.
As montanhas forçam o deslocamento vertical do ar, gerando a chamada turbulência orográfica, provocada pela interferência direta do relevo nos ventos. Esse fenômeno torna o percurso especialmente desafiador para a aviação comercial, embora esteja dentro dos padrões de segurança. A América do Sul aparece com destaque no ranking global, ocupando quatro das dez rotas mais turbulentas do mundo, todas influenciadas pela Cordilheira dos Andes. Nenhuma rota que cruza o Brasil entrou na lista.
O levantamento é feito a partir da análise de cerca de 10 mil rotas aéreas que conectam os principais aeroportos do mundo, com base em dados de instituições como a NOAA, dos Estados Unidos, e o serviço meteorológico do Reino Unido. A intensidade da turbulência é medida pelo índice EDR (Equivalent Dissipation Rate), que avalia a energia dissipada na atmosfera e o impacto sobre a aeronave.
Mesmo liderando o ranking, a rota Mendoza–Santiago apresenta, em média, turbulência classificada como moderada, longe dos níveis considerados severos ou extremos. Especialistas reforçam que, apesar do desconforto eventual para os passageiros, os voos seguem seguros, com aeronaves projetadas para suportar essas condições e tripulações treinadas para lidar com o fenômeno.
O estudo reforça a influência da geografia na aviação e destaca a importância do monitoramento meteorológico constante. Com tecnologias cada vez mais avançadas de previsão e planejamento de rotas, companhias aéreas conseguem reduzir impactos e manter altos padrões de segurança, mesmo em regiões naturalmente mais instáveis.






