O Museu do Louvre passou a cobrar, a partir desta semana, 32 euros pelo ingresso de visitantes que não residem em países do Espaço Econômico Europeu (EEE). O valor é 10 euros mais caro do que o ingresso pago por turistas europeus, que segue em 22 euros, e reacendeu o debate sobre acessibilidade cultural e discriminação tarifária.
Segundo o Ministério da Cultura da França, a medida tem como objetivo arrecadar recursos para a renovação e manutenção do museu, que recebe cerca de nove milhões de visitantes por ano. A expectativa é que a nova política gere entre 20 e 30 milhões de euros anuais, destinados a melhorias estruturais, conservação do acervo e modernização das instalações.
A decisão, no entanto, provocou reações entre turistas de fora da Europa. A brasileira Marcia Branco criticou o aumento, afirmando que visitantes de países com economias menos fortes acabam sendo mais penalizados. Já a uruguaia Pamela González destacou que os custos elevados de passagens e hospedagem tornam a experiência ainda mais onerosa para quem viaja longas distâncias. Por outro lado, o australiano Kevin Flynn avaliou que o valor é compatível com outras atrações turísticas na Europa.
Além das críticas dos visitantes, sindicatos do Louvre também se posicionaram contra a medida, classificando-a como ofensiva do ponto de vista social e humano. Para os representantes, a cultura deveria ser acessível de forma igualitária, sem distinção por nacionalidade. Especialistas apontam que, embora o valor do ingresso esteja alinhado a grandes museus internacionais, a diferenciação por origem geográfica é incomum em instituições culturais de referência.
A política adotada pelo Louvre segue uma tendência observada em outros monumentos de Paris, como a Sainte-Chapelle e a Conciergerie, que também passaram a praticar preços diferenciados. A iniciativa reforça o desafio enfrentado por grandes museus: equilibrar sustentabilidade financeira e acesso democrático à cultura, em um cenário de turismo global cada vez mais caro.






