Em uma operação de grande envergadura que demonstra a persistência e a resiliência das forças de segurança, Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho e apontado como um dos mais proeminentes banqueiros do jogo do bicho no Rio de Janeiro, foi detido nesta quinta-feira em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A prisão, resultado de um esforço conjunto da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil (PC) do estado, atuando no âmbito da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RJ), é considerada um duro golpe contra a intrincada rede do crime organizado. A ação culminou após diversas tentativas frustradas, expondo os desafios enfrentados pelas autoridades na desarticulação de uma estrutura criminosa que se estende por múltiplas ilegalidades, desde contravenções até crimes de extrema gravidade, como homicídios e exploração de trabalho análogo à escravidão, marcando um avanço significativo na segurança pública fluminense.
A Operação e a Captura do Líder Crimininoso
A Persistência das Forças Policiais
A captura de Adilsinho não foi um feito isolado, mas sim o ponto culminante de uma jornada complexa e repleta de obstáculos. Segundo relatos das próprias autoridades envolvidas na FICCO/RJ, esta foi a terceira tentativa de prender o bicheiro, cujas ações eram notoriamente dificultadas por uma sofisticada rede de proteção. Esta rede, conforme informações reveladas pelas investigações, incluía o envolvimento de agentes policiais cooptados, diretamente ligados à máfia do jogo do bicho, que atuavam para salvaguardar os interesses do contraventor e frustrar as investidas da justiça. Fábio Galvão, superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, enfatizou a natureza árdua e a resiliência exemplar das equipes que compõem a FICCO/RJ, uma força-tarefa integrada pela PF e pela Polícia Civil, cuja colaboração estratégica foi decisiva para o sucesso da operação.
A prisão de Adilsinho, descrito pelas autoridades como o “mais sanguinário dos capos do jogo do bicho”, representa mais do que uma simples detenção; simboliza um desmantelamento parcial da estrutura de poder de uma das figuras mais influentes do crime organizado no estado. A incessante atuação conjunta das equipes das duas corporações foi um fator crucial para superar as barreiras impostas pela organização criminosa. A satisfação entre os agentes era palpável, pois a prisão não apenas remove um indivíduo perigoso de circulação, mas também envia uma mensagem clara sobre a determinação das forças de segurança em desbaratar tais estruturas, independentemente do tempo ou dos recursos necessários para tal objetivo. Felipe Curi, secretário de Estado de Polícia Civil, expressou gratidão pela parceria e integração, destacando a eficiência da troca de informações de inteligência entre as instituições.
O Golpe Contra o Império Ilegal
A influência de Adilsinho não se limitava apenas ao jogo do bicho. O contraventor era peça-chave em um vasto império ilegal, que englobava múltiplas fontes de financiamento para suas atividades criminosas. As investigações conjuntas revelaram que um dos pilares financeiros de sua organização era a exploração de fábricas clandestinas de cigarros. Anteriormente à sua prisão, a ação coordenada entre a Polícia Federal e a Polícia Civil já havia resultado na desarticulação e no estouro de três dessas fábricas, sendo algumas localizadas estrategicamente na Baixada Fluminense. Estas operações não apenas privaram a organização de uma significativa fonte de renda, mas também expuseram a crueldade inerente a esses negócios ilícitos, que frequentemente operavam à margem de qualquer legislação trabalhista e sanitária.
Em uma dessas fábricas clandestinas, por exemplo, os agentes se depararam com uma realidade chocante: mais de vinte cidadãos paraguaios estavam submetidos a condições análogas à escravidão, vivendo e trabalhando em ambientes desumanos e exploratórios. Este achado sublinhou a brutalidade e a desconsideração pela vida humana que caracterizam as operações de Adilsinho e de seus associados, revelando a extensão das atrocidades cometidas. Além do contrabando de cigarros, as máquinas caça-níqueis e, naturalmente, o jogo do bicho, formavam a tríade de atividades que alimentavam financeiramente o poder do bicheiro. A interrupção dessas fontes de dinheiro ilícito é vista pelas forças policiais como um “presente para a sociedade fluminense” e um “baque” estratégico e inegável para a máfia do jogo do bicho, que agora enfrenta um cenário de vulnerabilidade sem a presença de um de seus mais temidos e influentes líderes.
O Vasto Histórico Criminal e as Investigações em Andamento
Acusações de Homicídios e a Violência da Quadrilha
O perfil de Adilsinho, delineado pelas investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil, revela um criminoso de alta periculosidade, cujas atividades iam muito além da contravenção. Ele é suspeito de ter orquestrado e praticado dezenas de homicídios ao longo de sua trajetória no mundo do crime. Esses assassinatos, conforme detalhado pelas autoridades de segurança, não eram aleatórios, mas parte de uma estratégia violenta e calculada para consolidar seu poder, eliminar rivais e silenciar desafetos dentro e fora de sua organização. Entre as vítimas, estariam outros contraventores do próprio jogo do bicho, integrantes de facções ligadas ao contrabando de cigarros e, de forma alarmante, até mesmo policiais que, de alguma forma, representavam uma ameaça aos seus negócios ilícitos.
Atualmente, Adilsinho possui três mandados de prisão expedidos pela justiça, todos relacionados a homicídios de indivíduos envolvidos direta ou indiretamente com sua organização criminosa. As investigações sobre esses crimes estão sendo conduzidas pelas Delegacias de Homicídios da Capital, da Baixada Fluminense e da região de Niterói e São Gonçalo, evidenciando a capilaridade e a amplitude dos atos violentos atribuídos ao bicheiro e à sua quadrilha. Entre os casos mais notórios e que chocaram a opinião pública, destaca-se o assassinato de um advogado em fevereiro de 2024. Este crime, executado à luz do dia, em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), praticamente ao lado do Ministério Público e da Defensoria Pública, foi um exemplo da ousadia e da impunidade com que a quadrilha de Adilsinho operava, desafiando abertamente as instituições de justiça e a ordem pública com extrema brutalidade.
A execução de um profissional do direito em um local tão simbólico demonstra o grau de intimidação e a audácia que caracterizavam as ações do grupo criminoso. O fato de Adilsinho ser investigado por tamanha quantidade de homicídios ressalta a importância de sua prisão para a diminuição da violência ligada ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. A desarticulação de sua rede de proteção e a sua captura representam um passo fundamental para que as investigações sobre estes crimes brutais avancem e, finalmente, as vítimas e suas famílias possam ter acesso à justiça que lhes foi negada por tanto tempo. A Polícia Civil continua a coletar evidências e a aprofundar as apurações, visando imputar a Adilsinho a totalidade dos crimes pelos quais é suspeito e garantir que sua influência deletéria seja completamente neutralizada.
A Força da Integração Contra o Crime Organizado
A prisão de Adilsinho é um testemunho irrefutável da eficácia e da potência da integração entre as diferentes forças policiais no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. Tanto o superintendente da Polícia Federal, Fábio Galvão, quanto o secretário de Estado de Polícia Civil, Felipe Curi, foram unânimes em destacar a sinergia e a troca contínua de informações de inteligência como pilares fundamentais para o êxito desta e de inúmeras outras operações realizadas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RJ). Esta força-tarefa tem se mostrado um modelo eficiente de atuação conjunta, superando as barreiras burocráticas e jurisdicionais que muitas vezes dificultam a ação policial em redes criminosas tão complexas e transestaduais, permitindo uma resposta mais célere e coordenada contra a criminalidade.
A colaboração entre Polícia Federal e Polícia Civil tem produzido resultados notáveis, impactando diretamente a capacidade operacional de grupos criminosos que antes operavam com uma percepção de impunidade. O sucesso na desarticulação das fábricas de cigarros, na identificação e resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão e, agora, na prisão de um dos principais líderes do jogo do bicho, demonstra que a estratégia de união de esforços e expertise está no caminho certo. A sociedade fluminense, historicamente assolada pela criminalidade organizada, recebe a prisão de Adilsinho como um alento e um sinal de que as instituições estão empenhadas em restaurar a ordem e a segurança, combatendo a impunidade e fortalecendo a confiança no sistema de justiça.
Este evento não marca o fim da luta contra o crime organizado, mas sim um avanço significativo em uma batalha contínua. A FICCO/RJ reafirma seu compromisso de seguir atuando de forma incansável e integrada, investigando e desmantelando outras estruturas criminosas que ainda persistem no estado. A esperança é que a descapitalização dessas máfias, a retirada de seus líderes de circulação e a demonstração da força e coesão do aparato de segurança pública sirvam para inibir futuras atividades ilícitas e pavimentar o caminho para um Rio de Janeiro mais seguro e justo para todos os seus cidadãos, com a expectativa de que a lei prevaleça sobre a força do crime.