sexta-feira, março 6

A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, deflagrou na manhã de ontem (5) a “Operação Mago Simão” para cumprir mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um esquema de pirâmide financeira disfarçado de assessoria de investimentos em criptomoedas.

A ação foi realizada em uma residência no bairro Jardim Morada do Sol, em Indaiatuba, e tem como principal alvo o investigado, que utilizava sua imagem pública como professor de teologia, músico e instrutor de day trade para atrair investidores.

Segundo a investigação, o suspeito se apresentava como um especialista no mercado financeiro, afirmando atuar como day trader desde 2016. Ele teria estruturado a empresa NEXTCAPITAL, inicialmente divulgada como uma escola de traders, para conquistar a confiança de alunos e integrantes de sua comunidade religiosa.

As vítimas eram atraídas por promessas de rendimentos considerados irreais no mercado financeiro, chegando a até 10% de lucro ao mês. Para manter a aparência de legitimidade, o investigado enviava relatórios e panfletos em PDF com supostos demonstrativos de ganhos mensais.

A polícia também apurou que alguns investidores eram incentivados a recrutar novos participantes, recebendo comissões de cerca de 5%, característica típica de esquemas do tipo Esquema Ponzi, popularmente conhecido como pirâmide financeira.

Durante a investigação, os policiais identificaram diversas irregularidades. O site da empresa citava endereços comerciais na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Indaiatuba, que não correspondiam à realidade. Em um dos locais mencionados funcionavam consultórios de psicologia e odontologia, sem qualquer identificação da empresa.

Além disso, embora o site afirmasse que a empresa possuía oito anos de atuação no mercado, a NEXTCAPITAL foi formalmente aberta apenas em junho de 2024 e não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para operar com custódia de valores no país.

Enquanto investidores relatavam dificuldades para sacar os valores aplicados, o investigado e sua esposa exibiam nas redes sociais um padrão de vida elevado, com viagens e utilização de veículos de luxo. Em declarações recentes, o suspeito teria admitido possuir uma dívida de aproximadamente R$ 510 mil com cerca de 42 clientes. Como justificativa para a interrupção dos pagamentos, ele alegou ter perdido a senha e as palavras-chave de recuperação da carteira digital onde estariam armazenados os investimentos em criptomoedas.

Durante o cumprimento dos mandados de busca, os policiais apreenderam sete cartões bancários de diferentes instituições, aparelhos celulares, documentos, agendas pessoais e máquinas de cartão ligadas à empresa.

Todo o material será analisado pela perícia para aprofundar as investigações sobre o crime de estelionato e identificar o destino final do dinheiro das vítimas.

As investigações continuam.

 

 

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Jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), estagiou como fotógrafo e jornalista na Câmara de Vereadores de Piracicaba.

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