sábado, março 14
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A Polícia Civil de São Bernardo do Campo prendeu temporariamente, nesta quinta-feira (12), Luciano de Souza, de 32 anos, autor confesso do assassinato de sua ex-companheira Sabrina Cândido Pontes, de 24 anos. O crime, que deixou órfãos dois meninos de 2 e 4 anos, foi registrado no 6º Distrito Policial como feminicídio e ocultação de cadáver, revelando uma trama de manipulação que incluiu denúncias falsas e o uso de tecnologia para enganar investigadores e familiares.

Da denúncia falsa à confissão

Três dias antes de apresentar-se espontaneamente às autoridades, Souza havia comparecido à mesma delegacia para registrar boletim de ocorrência sobre o suposto desaparecimento de Sabrina. Na ocasião, ele alegou que a ex-companheira havia sumido no último dia 6 de março, uma estratégia calculada para demonstrar preocupação e desviar suspeitas. No entanto, pressionado pelo avanço das investigações e pelas contradições em seu depoimento, o homem retornou à unidade policial e admitiu ter matado Sabrina, revelando que havia escondido o corpo em uma área de mata fechada próxima à estrada da região do Riacho Grande-Represa Billings.

Simulação digital e engenharia de falsas pistas

Durante os dias em que manteve o paradeiro da vítima em segredo, Souza utilizou o celular de Sabrina para postar mensagens em aplicativos de comunicação, criando a falsa impressão de que ela estava bem e deslocada para o interior do estado. Investigações preliminares apontam que o suspeito pode ter recorrido à inteligência artificial para gerar áudios imitando a voz da ex-companheira, uma tentativa sofisticada de despistar parentes e ganhar tempo enquanto mantinha a farsa do desaparecimento voluntário.

Motivação e o contexto do relacionamento

O casal mantinha uma união estável há 12 anos, período durante o qual nasceram os dois filhos pequenos, mas estavam separados havia aproximadamente um mês quando ocorreu o crime. Segundo o relato do próprio assassino à polícia, o gatilho para a violência extrema teria sido a recusa de Sabrina em reatar o casamento, demonstrando um padrão de controle e posse que culminou no feminicídio. A morte da jovem interrompeu definitivamente uma história de longa duração, deixando uma família destruída e crianças em situação de vulnerabilidade parental.

São Paulo diante da escalada da violência de gênero

O caso ocorre em um cenário alarmante de crescimento dos feminicídios no estado de São Paulo, que registrou em 2025 o maior número de vítimas desde o início da série histórica em 2018. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, foram 270 mulheres assassinadas por violência de gênero no período, representando um aumento de 6,7% em comparação aos 253 casos registrados em 2024. O mês de janeiro deste ano foi particularmente violento, com 27 feminicídios — praticamente uma morte por dia — configurando o período mais letal da série histórica.

Levantamento recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela ainda a fragilidade dos instrumentos de proteção: na capital paulista, 21,7% das vítimas de feminicídio possuíam medida protetiva vigente. Entre setembro de 2023 e março de 2025, das 83 mulheres assassinadas na cidade, 18 contavam com Medida Protetiva de Urgência (MPU). Em análise nacional abrangendo 16 unidades da Federação e 1.127 casos, 13,1% das vítimas foram mortas apesar de contarem com proteção judicial determinada.

Legado de dor e a urgência da prevenção

A prisão de Luciano de Souza encerra um capítulo investigativo, mas inaugura um ciclo de trauma irreversível para os dois filhos pequenos que permanecem sob os cuidados de familiares. O caso reforça a necessidade crítica de revisão dos protocolos de proteção às mulheres em situação de risco, especialmente nos momentos de separação, quando ocorre o maior índice de feminicídios. Enquanto o sistema judiciário e as políticas públicas de segurança buscam respostas efetivas para frear a violência de gênero, famílias como a de Sabrina Cândido Pontes pagam o preço mais alto de uma cultura que ainda normaliza o controle e a posse sobre o corpo e a vida das mulheres.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Mapa da ocorrencia

Visualizacao georreferenciada da area da noticia em São Bernardo do Campo - São Bernardo do Campo - Sao Paulo, com raio aproximado de 2 km.

A area destacada representa a regiao aproximada da noticia, preservando contexto geografico sem expor um ponto sensivel como endereco exato.

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Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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