A equipe brasileira de esqui cross-country escreveu um novo capítulo em sua história nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Neste sábado (14), o trio formado por Aline Rocha, Cristian Ribera e Wellington da Silva conquistou o <strong>7º lugar no revezamento misto</strong>, superando a marca anterior obtida em Pequim 2022, quando o país havia terminado na 8ª posição. A performance representa não apenas um avanço técnico, mas também a consolidação de um projeto de desenvolvimento esportivo que vem transformando o cenário paralímpico nacional.
A conquista em detalhes
Competindo entre dez nações, os brasileiros demonstraram evolução consistente em relação à edição anterior. Aline Rocha e Cristian Ribera, medalhista paralímpico em edições anteriores, assumiram os primeiros 2,5 km cada, enquanto Wellington da Silva encarou uma dobradinha de 5 km para fechar a prova. A estratégia exigiu resistência física e mental, especialmente considerando que algumas equipes adversárias contavam com quatro atletas, enquanto o Brasil optou pela formação reduzida de três integrantes.
Os depoimentos pós-prova refletiram o empenho individual e coletivo. <i>“Gostei da prova, me senti bem, foi muito exigente, o clássico demanda muito, fiz uma primeira volta boa e me cansei muito na segunda”</i>, analisou Wellington, reconhecendo a dureza da disputa. Já Cristian Ribera destacou o trabalho em equipe por trás dos resultados: <i>“O esporte é individual, mas há uma grande equipe trabalhando por trás. Estou feliz por termos melhorado nossa posição em relação aos Jogos de Pequim”</i>. Aline Rocha projetou o futuro com otimismo: <i>“Esperem por mais na próxima”</i>.
Como funciona o revezamento misto paralímpico
O revezamento misto no esqui cross-country paralímpico é uma das provas mais complexas da modalidade, exigindo integração entre atletas com diferentes tipos de deficiência. Geralmente disputada no formato 4×2,5 km — onde quatro esquiadores percorrem 2,5 km cada —, a competição reúne homens e mulheres nas categorias <b>standing</b> (em pé), <b>sitting</b> (sentado) e <b>vision impaired</b> (deficiência visual com guia).
A dinâmica da prova em Milão-Cortina exigiu adaptações da equipe brasileira. Com apenas três atletas disponíveis contra formações completas de adversários, os competidores precisaram redistribuir as distâncias, mantendo a competitividade mesmo em desvantagem numérica. Essa capacidade de adaptação evidencia a maturidade técnica alcançada pelo país na modalidade ao longo dos últimos quatro anos.
Time São Paulo como motor da transformação
A composição 100% formada por atletas do <strong>Time São Paulo</strong> reforça o papel estratégico do programa de fomento ao esporte paralímpico desenvolvido pelo Governo do estado em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). <i>“É muito bom ver o Time São Paulo compondo todo o nosso revezamento, mostrando a relevância do programa não só para o esporte paralímpico paulista, mas também para o nacional”</i>, afirmou Marcos da Costa, Secretário Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Criado para estruturar o alto rendimento e promover a inclusão por meio da prática esportiva, o programa conta com <b>R$ 8,2 milhões em investimentos</b> e beneficia 157 atletas distribuídos em 16 modalidades diferentes. A parceria, recentemente estendida até dezembro de 2028, garante estabilidade financeira e técnica para o ciclo preparatório visando os Jogos Paralímpicos de Los Angeles, permitindo planejamento de longo prazo.
Desafios finais em Milão-Cortina
A participação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno não termina com o revezamento misto. Neste domingo (15), último dia de competições, Aline Rocha, Cristian Ribera e Elena Sena voltam às pistas para disputar a prova de 20 km em esqui cross-country. A competição representa a oportunidade final de brilhar na edição histórica dos Jogos realizada nas cidades italianas de Milão e Cortina d'Ampezzo.
Além de resultados imediatos, a campanha em território italiano consolida uma nova era para o esporte paralímpico de inverno no Brasil. Com estrutura profissionalizada, investimento contínuo e atletas em ascensão técnica, o país demonstra que pode competir de igual para igual com nações tradicionais na modalidade, projetando conquistas ainda maiores nas próximas edições do calendário paralímpico mundial.









