A morte da policial militar <strong>Gisele Alves Santana</strong>, encontrada com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano, ganhou novos elementos que contradizem a versão de suicídio inicialmente apresentada pelo companheiro. Em depoimento prestado à Polícia Civil na última sexta-feira (13), o ex-companheiro da vítima — pai da filha dela — reforçou que Gisele não demonstrava comportamento depressivo ou intenções autodestrutivas, contrariando o relato do tenente-coronel <strong>Geraldo Leite Neto</strong>, então marido da PM e única testemunha presente no momento do óbito.
Projetos de vida descartam hipótese de suicídio
Segundo o advogado da família, <strong>José Miguel da Silva Junior</strong>, o depoente descreveu Gisele como uma mulher com planos concretos para o futuro. Ela estava em processo de separação do tenente-coronel, buscava alugar uma residência própria e, diante das dificuldades financeiras, planejava retornar à casa dos pais. O ex-companheiro enfatizou que ela jamais havia agredido fisicamente o ex-marido, desmontando possíveis alegações de violência mútua. Essa caracterização de uma mulher estruturando uma nova fase de vida coloca em xeque a tese de que ela teria tirado a própria vida.
Medo da criança reforça suspeitas sobre o ambiente doméstico
Outro aspecto relevante mencionado no depoimento diz respeito à reação da filha de Gisele com o tenente-coronel. Segundo o advogado, a criança demonstrava <strong>pavor explícito</strong> de permanecer na residência onde o casal vivia. Esse comportamento infantil sugere que o ambiente doméstico não era harmonioso, corroborando a versão de que a PM buscava afastamento definitivo da relação e levantando questionamentos sobre a dinâmica real do casamento.
Laudos apontam lesões incompatíveis com suicídio
A tese de morte violenta ganha respaldo nos laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML). Documentos datados de <strong>19 de fevereiro</strong> — véspera imediata ao crime — e de <strong>7 de março</strong>, após exumação do corpo, registram lesões contundentes na face e na região cervical de Gisele. Os peritos identificaram marcas de pressão digital e escoriações compatíveis com estigma ungueal, ou seja, arranhões causados por unhas. Tais ferimentos sugerem luta corporal ou imobilização da vítima, cenário incompatível com suicídio.
O crime e as investigações em curso
Gisele foi encontrada morta no apartamento que dividia com Geraldo Leite Neto no dia <strong>18 de fevereiro</strong>. O oficial, que estava no local no momento do falecimento, comunicou às autoridades que se tratava de suicídio. No entanto, as lesões físicas apontadas nos laudos técnicos e os depoimentos de familiares começam a traçar um cenário diverso, onde a possibilidade de homicídio ganha força diante das contradições evidenciadas.
As investigações da Polícia Civil avançam com a coleta de testemunhos e análises periciais que desmontam a versão inicial. A combinação de relatos sobre o comportamento estável da vítima, o medo demonstrado pela filha e as lesões físicas documentadas pelo IML aponta para a necessidade de esclarecimento rigoroso das circunstâncias que levaram à morte da policial militar.









