quinta-feira, março 19
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A Polícia Civil de São Paulo indiciou por feminicídio o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, pela morte da companheira, soldado Gisele Alves Santana, informou o advogado José Miguel Silva Junior à Agência Brasil.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento em que o casal morava. O tenente-coronel, que estava no local, chamou socorro e reportou o caso às autoridades como suicído, conforme relatou José Miguel Silva Junior à reportagem. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita, mas a família da vítima contestou a versão de suicídio desde o início, afirmou o jurista.

Laudos necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) no corpo de Gisele apontaram lesões contundentes na face e na região cervical, segundo documento divulgado. Tais lesões são resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal, ou seja, causado por unha, indicou o laudo com data de 7 de março, um dia depois da exumação do corpo da vítima. No entanto, no laudo necroscópico do dia 19 de fevereiro, dia seguinte à morte da policial, já havia menção a lesões na face e no pescoço na lateral direita, destacou Silva Junior.

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Em entrevistas à Agência Brasil, o advogado José Miguel Silva Junior afirmou que as marcas encontradas no pescoço da vítima, junto a outros elementos de prova, corroboravam para a tese do crime de feminicídio. Em depoimento, uma testemunha vizinha disse que ouviu um disparo às 7h28 daquele dia, enquanto o tenente-coronel acionou a polícia às 7h57, registrou o advogado. Ele chama atenção para o intervalo de quase meia hora para que Geraldo pedisse socorro como indício relevante de possível manipulação do tempo de ocorrência.

Silva Junior mencionou ainda a foto da vítima com a arma na mão tirada pelos socorristas, explicando que a imagem seria incomum em casos de suicídio genuíno. Além disso, o advogado ressaltou que três mulheres policiais foram ao apartamento do casal para fazer uma limpeza horas após a ocorrência, o que já foi confirmado em depoimentos oficiais. Essas ações sugerem tentativa de alteração do cenário do crime e obstrução da justiça, segundo a análise técnica da defesa da vítima.

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A defesa do tenente-coronel não confirma o indiciamento em nota preliminar divulgada à imprensa. A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público e aguarda retorno sobre as acusações formais e o andamento do inquérito. O cenário aponta para possível abuso de poder institucional e violência de gênero, conforme análise jurídica do caso apresentada pela família.

📍 Mapa da ocorrencia

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